Em convenção nacional extraordinária, realizada ontem pela manhã, o PMDB aprovou resolução para voltar a se chamar apenas MDB, sigla utilizada entre 1966 e 1979, durante o bipartidarismo na ditadura militar. Desgastada pela crise política e por graves denúncias contra sua cúpula, a legenda tenta colar sua imagem a lideranças do passado, que fizeram história na luta contra o regime autoritário, como o ex-deputado federal e ex-presidente da legenda, Ulysses Guimarães.
“Não é volta para o passado, é um passo gigantesco para o futuro”, disse o presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), que é um dos investigados na Operação Lava Jato. “O MDB foi retirado da política por força da ditadura militar. Retorna agora mais pujante”, acrescentou. A mudança no nome da sigla precisa ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Depois de ter cancelado sua ida, o presidente Michel Temer compareceu ao evento. Ele foi recebido no palco por um pai de santo chamado Uzêda, com um ramo de arruda. Pai Uzêda, como é chamado, esteve presente à cerimônia de posse de Joaquim Barbosa como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012 e escreveu uma carta a Dilma, em 2015, pedindo que ela tomasse cuidado com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). O partido negou ter contratado os trabalhos do pai de santo para afugentar os males contra a agremiação.
Em discurso, Temer defendeu sua gestão, que, segundo ele, tem caráter reformista. “Todas as reformas fundamentais estão sendo feitas pelo PMDB. Temos a coragem de ser um governo reformista, coisa que ninguém promoveu. Não foi fácil pegar o governo como peguei, com uma oposição muito radical. Normalmente você tem um tempo de transição entre governos, mas nós não. Quando cheguei ao Palácio [do Planalto], a única preparação foi uma mocinha na recepção. Todos os arquivos tinham sido eliminados dos computadores”, declarou.