A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, às 6h, o empresário e advogado José Yunes, 80, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer (MDB) na operação Skala.
Foram presos ainda o coronel João Batista Lima Filho, o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (MDB), aliados de Temer, e o empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos. Detalhes da operação têm sido tratados com sigilo pela PF e pela PGR.
Muito próximo do presidente da República, o coronel Lima, que vinha há meses adiando depoimentos à PF com justificativas de problemas de saúde, foi tirado de casa em uma ambulância e levado a um hospital de São Paulo.
Rossi foi preso às 6h em sua casa, em Ribeirão Preto, e levado à PF na cidade para prestar depoimento. Depois, foi encaminhado à superintendência da PF em São Paulo.
Ele, que foi ministro da Agricultura nos governos Lula e Dilma, é pai do deputado Baleia Rossi, líder do MDB na Câmara.
Segundo investigadores, também foi alvo de mandado de prisão Milton Ortolan, assessor de Rossi. Grecco foi preso em sua casa, em Monte Alegre do Sul (SP) e foi levado à Polícia Federal em São Paulo.
Também foram feitas ações de busca e apreensão na sede da Rodrimar e na casa do Grecco, em Santos.
Segundo a PF, ao menos 15 mandados estavam sendo cumpridos nesta quinta, entre prisões e busca e apreensão.
Também foi presa, no Rio, a empresária Celina Borges Torrealba Carpi, uma das donas do grupo Libra. De acordo com o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, o grupo, concessionário do porto de Santos, foi beneficiado pela medida provisória do setor.
A norma permitiu à empresa renovar seus contratos, apesar de estar inscrita na dívida ativa da União. A PF investiga doações eleitorais feitas por integrantes da família Torrealba ao PMDB.
A PGR trabalha com a hipótese de que a doação oficial de R$ 1 milhão feita por dois sócios da Libra à campanha de Temer em 2014 tenha sido propina em troca do decreto, o que a empresa refuta. Naquele ano, Temer foi candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT).
As detenções foram autorizadas pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, relator do inquérito.