Alguns prefeitos do Vale do Ivaí contestaram, ontem, a estimativa populacional de 2017 feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE), que aponta queda de habitantes em seus municípios. Segundo eles, as projeções do órgão não correspondem à realidade hoje de suas cidades. Relatório foi divulgado ontem pela Tribuna do Norte.
O prefeito de São João do Ivaí, Fábio Hidek Miura (PSC), por exemplo, garante que a estimativa do IBGE está totalmente fora da realidade de seu município. A projeção aponta que, em números absolutos, São João do Ivaí foi o que mais perdeu habitantes na região, ou seja, 110. Em 2016 município tinha 11.115 e agora caiu para 11.005, quase 1%.
Para Fábio Hidek, São João do Ivaí não perdeu e nem vem perdendo habitantes, pelo contrário, o número só vem aumentando. Pelos seus cálculos o município tem hoje em torno de 13 mil habitantes e até mais, conforme registros sócio-econômicos da Prefeitura.
Ele observa que são muitos os universitários de São João do Ivaí que estudam em outros centros como Maringá, Londrina, Apucarana e Curitiba, que vêm para o município somente nos finais de semana ou quando têm uma outra oportunidade. A maior do tempo eles ficam fora da sua cidade e não são computados como moradores.
Além disso, conforme Fábio Hidek, o número de alunos aumenta todo ano cada vez mais nas escolas municipais e nas creches, assim como é grande o número de atendimentos mensais no setor de saúde.
Fábio Hidek diz que vai enviar um ofício ao IBGE contestando a estimativa. Ele vai pedir que seja feita uma nova avaliação ou a realização de um censo municipal específico. “Nosso município tem mais habitantes do que esta estimativa do IBGE”, garante.
O prefeito de Borrazópolis, Adilson Lucchetti (PSB), o Didi, também contesta a projeção populacional do IBGE. Segundo ele, nos últimos quatro anos foram construídas mais de 600 casas em Borrazópolis, seja através de programa da Prefeitura com a Cohapar, seja por iniciativa própria das famílias através de financiamento pela Caixa nos loteamentos abertos na cidade.
Pelo IBGE, Borrazópolis tinha até julho do ano passado 7.387 habitantes e hoje tem 7.250, ou seja, uma queda de 1,45%. “Nossa população não caiu, pelo contrário, só vem aumentando nos últimos anos”, garante Didi, que vai contestar a projeção junto ao IBGE. Segundo ele, muita gente que foi embora de Borrazópolis hoje está voltando. ´”Enquanto isso, não se vê uma só mudança saindo do município”, diz.
Em Lidianópolis, município que tem o maior percentual de queda populacional do Vale do Ivaí, o prefeito Adalto Aparecido Mandu (PHS) admite que nos últimos dez anos o município teve diminuição da população, em função da falta de empregos tanto na cidade como na zona rural. Mas de um ano para outro, na proporção de 1,48%, não. Cidade tinha 3.717 habitantes e agora 3.662. Segundo ele, isso está errado.
Mandu diz que não vai contestar a estimativa junto ao IBGE, já que a queda não muda em nada o coeficiente do FPM de Lidianópolis, que é 0.6. “O que nós estamos fazendo é investir na agricultura familiar para que o homem rural permaneça em Lidianópolis”, diz o prefeito, lembrando que somente em fruticultura o Município está investindo
R$ 100 mil em mudas.
Municípios têm até 18 de setembro para reclamar
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) informou ontem que os municípios que não concordarem com a estimativa populacional do IBGE têm até o dia 18 de setembro para protocolar a contestação junto ao órgão. Esse prazo foi conseguido após pedido feito na CNM no dia 25 de julho, quando o prazo era de apenas 10 dias após a publicação do relatório.
Pelos estudos da CNM, em todo o País 1.364 cidades registraram queda na população, enquanto 4.171 tiveram crescimento e apenas 35 permanecem com média idêntica.
Em relação ao impacto no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), em todo o País 14 municípios terão queda no índice e 100 terão aumento. No Paraná, apenas um município vai mudar para baixo o coeficiente do FPM, Ribeirão do Pinhal, de 1.0 para 0.8. Outros cinco vão subir no FPM: Cafelândia, Castro, Pinhais, Sarandi e Terra Boa. (EDISON COSTA)