POLÍTICA

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Prefeitos do Vale do Ivaí tentam tirar municípios da "insolvência"

Edison Costa

| Edição de 26 de março de 2017 | Atualizado em 25 de março de 2017

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Passados quase 90 dias da posse, alguns prefeitos do Vale do Ivaí ainda estão enfrentando dificuldades para sanar as finanças de seus municípios. São aqueles que receberam a prefeitura do adversário e dizem ter encontrado o município em situação de falência.
São os casos, por exemplo, dos prefeitos Ilton Shiguemi Kuroda (PSC), de Rosário do Ivaí, Hermes Wicthoff (PTB), de Mauá da Serra, Raimundo Severiano de Almeida (PSDB), o Raimundinho, de Bom Sucesso, e Emerson Toledo Pires (PROS), de Cambira. Eles argumentam que, por mais que tentam, não está fácil acertar as finanças do município em tão pouco tempo.

Imagem ilustrativa da imagem Prefeitos do Vale do Ivaí tentam tirar municípios da "insolvência"


No início de janeiro, o prefeito Ilton Kuroda decretou moratória na Prefeitura de Rosário do Ivaí por um período de 90 dias, em função da dívida e dos muitos problemas que encontrou ao assumir o cargo. Até agora ele diz não ter resolvido ou pelo menos amenizado a situação. “Estou pensando em prorrogar a moratória por pelo menos mais noventa dias”, afirma Kuroda. Ele informa que no levantamento feito pela sua equipe nas contas da Prefeitura foram detectados muitos débitos sob suspeita, ou seja, contratos firmados pela gestão anterior de maneira irregular ou duvidosa. “Ainda estamos analisando esta situação encontrada antes de fazer qualquer pagamento a fornecedores”, afirma.
De acordo com Kuroda, a dívida do município hoje soma mais de R$ 2 milhões entre empenhos, precatórios não liquidados e outras contas deixadas em atraso. Ele assinala que está fazendo o que pode para pelo menos manter em dia a folha salarial do funcionalismo. Mas não está fácil recuperar máquinas e veículos deixados em situação de sucata.
No próximo dia 10 de abril, Kuroda realizará uma audiência pública para apresentar à população um balanço do que foi feito até agora e como pegou a Prefeitura. “É importante mostrar a realidade para nossa população, para que saiba de tudo que aconteceu na gestão anterior e o que está sendo feito agora”, justifica.

ANO DE SOFRIMENTO
Em Mauá da Serra, a situação não é diferente. “Ainda vai longe para acertar todas as dívidas e problemas que herdamos da gestão anterior”, afirma o prefeito Hermes Wicthoff. Ele diz que pegou a Prefeitura com uma dívida de mais de R$ 5 milhões e um parque de máquinas e veículos totalmente sucateado. “Vamos passar este primeiro ano de mandato sem poder fazer muita coisa e quem paga com isso é a população”, alerta. “Este vai ser um ano de muito sofrimento, de sofrimento mesmo”, acrescenta.
Nesta segunda-feira, Wicthoff vai encaminhar ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) a prestação de contas, não sua, mas do seu antecessor, referente ao exercício de 2016. Segundo ele, a contabilidade feita pela gestão anterior na entrega do cargo não bate com a contabilidade feita pela administração atual. “Eles colocaram como zeradas contas que não foram pagas e isso nós vamos informar ao Tribunal de Contas”, avisa.

Bom Sucesso paga metade do 13º
Em Bom Sucesso, o prefeito Raimundo Severiano de Almeida, o Raimundinho, diz que vai levar pelo menos um ano para colocar a casa em ordem. Mesmo tendo decretado moratória no início do ano, ele afirma já ter liquidado R$ 2,1 milhões de restos a pagar de uma dívida de R$ 3,5 milhões, a maioria referente a débitos com a Previdência Social, e metade do 13º salário, além do 2/3 de férias do funcionalismo deixados em atraso. Também foram pagos débitos com o ParanaCidade e Cisvir, mas há contas com fornecedores para liquidar.
“A gente só conseguiu acertar algumas contas porque a arrecadação de janeiro e fevereiro foi boa, mas para acertar toda a situação vamos levar o ano todo”, diz. (E.C)

Cambira recebe notificação judicial para pagar R$ 2 milhões de precatórios

Em Cambira, o prefeito Emerson Toledo Pires também decretou moratória no início do mandato, porém diz que foi obrigado a acertar algumas contas por conta de recursos judiciais e também pela urgência. Ele alega ter sido intimado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) a pagar mensalmente R$ 41 mil de precatórios  trabalhistas até final dos quatro anos, para liquidação de uma dívida de R$ 2 milhões.
“No mandato passado, o ex-prefeito pagou R$ 60 mil de precatórios nos quatro anos. Agora eu estou sendo obrigado a pagar R$ 2 milhões”, reclama.
Toledo informa que a Prefeitura devia R$ 248 mil ao Cisvir (Consórcio de Saúde). Ele negociou o pagamento de R$ 100 mil à vista e o restante parcelado em 11 meses. Ele acrescenta que pegou a Prefeitura com R$ 1,6 milhão de restos a pagar, mais R$ 1,1 milhão que vem desde 2012, R$ 300 mil que não foram liberados às autarquias de Saúde e Educação, mais R$ 80 mil da Copel. 
A dívida de R$ 545 mil com a Sanepar ele está tentando baixar para R$ 80 mil em troca dos investimentos feitos pelo Município no aterro sanitário. “Não está nada fácil”, lamenta. (E.C.)