A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), almoçou ontem com senadores no Palácio da Alvorada e decidiu fazer novos ajustes na carta que escreveu aos parlamentares, adiando mais uma vez a publicação do documento para até a próxima terça-feira (16).
A previsão era a de que Dilma divulgasse a carta aos 81 senadores nesta quarta, com sugestões de Cristovam Buarque (PPS-DF), que acabou fazendo um discurso a favor do impeachment na sessão no Senado que tornou a petista ré.
Bastante irritada com o senador, Dilma resolveu fazer mudanças no texto, inclusive incorporando novas sugestões. Parlamentares do PT, no entanto, afirmam que a presidente afastada “perdeu o timing” da divulgação do documento e que, agora, a carta não terá mais valor em troca de apoio.
Segundo a reportagem apurou, a última versão da carta, que ainda não é definitiva, tem cinco páginas e ainda mantém como bandeira central a defesa de um plebiscito para a realização de novas eleições, o que contraria a posição do presidente nacional do PT, Rui Falcão.
No almoço, senadores petistas afirmaram que estão trabalhando para convencer sete colegas de Senado a votar a favor de Dilma no julgamento final do impeachment, mas reconheceram que será uma “luta inglória”. Ela precisa de 28 votos para impedir seu afastamento definitivo. Um dos principais focos da ofensiva petista é o senador Pedro Chaves (PSC-MS), suplente do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS). O PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram aval para negociar apoio nas eleições municipais deste ano em troca de votos a favor Dilma.