Com receio dos impactos da delação de Sérgio Machado na governabilidade e na imagem da gestão peemedebista, o presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), chamou ontem de “mentirosas” e “criminosas” as acusações feitas pelo ex-presidente da Transpetro.
Em declaração pública, sem a oportunidade de perguntas da imprensa, o peemedebista ressaltou que não pode deixar passar em branco as denúncias e afirmou que nenhum “fato leviano” irá atrapalhar a atividade governamental.
“Quero registrar em alto e bom som que nada embaraçará nossa missão e desejo de fazer com que neste período que esteja à frente da Presidência da República continuemos a trabalhar em favor do Brasil e do povo brasileiro”, disse.
Segundo o delator, o presidente interino teria pedido em 2012, na Base Aérea de Brasília, doação de recursos ilícitos para a campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita. Tanto Temer como Chalita negam as acusações.
Para o peemedebista, ninguém que tivesse cometido o “delito irresponsável” descrito pelo delator teria “condições de presidir o País”. Segundo ele, a “leviandade não pode prevalecer”.
“Nossa honorabilidade está acima de qualquer função ou tarefa pública. Eu quero me dirigir ao povo brasileiro para dizer que não deixarei passar em branco essas afirmações levianas”, afirmou.
Na declaração, o peemedebista também fez um balanço de um mês de sua gestão, ignorando as demissões dos ministros Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), que criticaram em gravações a Operação Lava Jato.
A ideia inicial sugerida ao peemedebista é de que ele fizesse a apresentação em um pronunciamento em cadeia nacional de televisão e rádio nesta sexta-feira.