O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, pediu demissão do governo Michel Temer.
A decisão foi anunciada em uma carta enviada na noite de ontem, após conversa com o presidente interino. Em telefonema, feito à tarde, Temer disse ter confiança no ministro e minimizou a gravação divulgada no domingo à noite pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, em que Silveira aparece orientando investigados pela Operação Lava Jato enquanto era conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Temer, contudo, deixou o ministro à vontade para tomar a decisão que julgar melhor.
Segundo a reportagem apurou, o ministro ficou preocupado com a reação dos funcionários públicos da pasta, que fizeram protestos nesta segunda-feira pela sua saída e colocaram os cargos à disposição.
Em gravação, divulgada pela TV Globo, o ministro criticou a Operação Lava Jato e aconselhou investigados quando era conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Neste domingo, uma gravação feita por Machado revelou que o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, orientou investigados pela Operação Lava Jato enquanto era conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão que fiscaliza o Poder Judiciário. Ele também criticou a operação.
Os áudios foram exibidos pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (29). Em uma das gravações, após Machado criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Silveira disse: “Eles estão perdidos nessa questão [da Lava Jato]”.
CARTA
Trecho da carta diz o seguinte: “Recebi do Presidente Michel Temer o honroso convite para chefiar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.
Nesse período, estive imbuído dos melhores propósitos e motivado a realizar um bom trabalho à frente da pasta.
Pela minha trajetória de integridade no serviço público, não imaginava ser alvo de especulações tão insólitas.
Não há em minhas palavras nenhuma oposição aos trabalhos do Ministério Público ou do Judiciário, instituições pelas quais tenho grande respeito.
Foram comentários genéricos e simples opinião, decerto amplificados pelo clima de exasperação política que todos testemunhamos. Não sabia da presença de Sérgio Machado. Não fui chamado para uma reunião. O contexto era de informalidade baseado nas declarações de quem se dizia a todo instante inocente.
Reitero que jamais intercedi junto a órgãos públicos em favor de terceiros. Observo ser um despropósito sugerir que o Ministério Público possa sofrer algum tipo de influência externa, tantas foram as demonstrações de independência no cumprimento de seus deveres ao longo de todos esses anos.
A situação em que me vi involuntariamente envolvido - pois nada sei da vida de Sérgio Machado, nem com ele tenho ou tive qualquer relação - poderia trazer reflexos para o cargo que passei a exercer, de perfil notadamente técnico”.