POLÍTICA

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Prisão de ex-ministro Paulo Bernardo é "dolorosa", afirma Michel Temer

Folhapress

| Edição de 25 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O presidente interino Michel Temer (PMDB) disse ontem lamentar a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo (PT-PR) pela Polícia Federal na quinta-feira, mas afirmou que é preciso "prestar obediência" às investigações.

"Quero lamentar muitíssimo este fato que envolveu o ex-deputado e ex-ministro Paulo Bernardo, é um fato doloroso. Vi hoje uma declaração da senadora Glesi [Hoffmmann (PT-PR), mulher do petista] de que ele foi detido na frente dos filhos, então quero publicamente lamentar o fato. Mas, de qualquer maneira, é preciso prestar obediência às decisões que vêm sendo tomadas nessa investigação", afirmou o peemedebista em entrevista à rádio Estadão.

Imagem ilustrativa da imagem Prisão de ex-ministro Paulo Bernardo é "dolorosa", afirma Michel Temer

O ex-ministro foi preso na Operação Custo Brasil sob suspeita de se beneficiar de um esquema de desvio de dinheiro no ministério do Planejamento, que comandou de 2005 a 2011.

Provocado, Temer evitou opinar na polêmica sobre se a Polícia Federal poderia ter cumprido um mandado de busca e apreensão no apartamento funcional de Gleisi Hoffmann. Na noite de quinta-feira, o Senado pediu formalmente no STF que o ato fosse anulado porque, por se tratar da casa de um parlamentar, precisaria ter sido autorizado pelo STF.

"É um problema jurídico, eu penso que é preciso prestar obediência a esse princípio, mas é preciso manter uma harmonia entre o Congresso e o Judiciário. Eu espero que esse suposto litígio, que também envolve a Polícia Federal, do Executivo, se defina", disse.

Como tem feito frequentemente em entrevistas, Temer voltou a criticar a herança econômica do governo Dilma, "mais complicada do que esperava" e defendeu uma reforma da Previdência.

BREXIT

O interino também evitou comentar o resultado do plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

"Nós achamos que a Inglaterra [também fazem parte do Reino Unido Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte] decidiu por uma consulta popular e não vamos discutir. Precisamos verificar as repercussões econômicas para o Brasil", disse Temer, defendendo que a política externa de seu governo "se pauta pela soberania nacional".

"O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai se encontrar hoje (ontem) com um representante do governo britânico para discutir essas questões. Vamos esperar os acontecimentos", afirmou.

Abalada, Gleisi falta à sessão do Senado
Um dia após a prisão de seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) não compareceu ontem à comissão especial do impeachment no Senado. Uma das principais defensoras da presidente afastada Dilma Rousseff no colegiado, a petista também não esteve presente na reunião de quinta-feira.
De acordo com pessoas próximas à senadora, ela ainda está abalada com a ação da Polícia Federal que, além de prender Paulo Bernardo, também cumpriu ordem de busca e apreensão no apartamento funcional da senadora, onde ela estava com a família no momento da operação.
Gleisi optou por ficar em casa com seus filhos adolescentes e para receber o advogado da família. Ainda segundo aliados da petista, ela deverá retomar os trabalhos normalmente na próxima semana.
Paulo Bernardo foi preso pela Polícia Federal na manhã de quinta, em Brasília, pela Operação Custo Brasil, que investiga um esquema de corrupção supostamente usado para abastecer o caixa do PT. Ele teria recebido R$ 5,6 milhões em propina.