O Ministério Público de Apucarana instaurou uma Ação Civil Pública contra o diretor do Colégio Estadual Nilo Cairo, João Luiz Calegari, e contra o estudante Bruno Lucas Machado, por improbidade administrativa. De acordo com o MP, Calegari teria colaborado e incentivado a ocupação da instituição de ensino por estudantes em outubro e novembro do ano passado. Machado, conhecido como ‘Gurgel’, era o presidente do Grêmio Estudantil da instituição e teria liderado as ocupações. Tanto o diretor quanto o aluno teriam agido em detrimento do interesse público, impedindo os alunos de terem acesso a ensino.
A ação foi proposta pela 4ª Promotoria do Patrimônio Público de Apucarana, sendo recebida pela juíza Renata Bolzan Jauris, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Apucarana. O inquérito, que foi utilizado como base para a ação, ouviu diversos servidores do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, inclusive a chefe da unidade, Maria Onide Balan Sardinha. De acordo com os relatos, Calegari teria desrespeitado determinações do NRE e da Secretaria Estadual de Educação.
Sobre a ocupação, o texto da ação aponta que Calegari “não mediu esforços para que a mesma ocorresse”, contrariando o que determinavam os órgãos estaduais de educação à época. Ainda de acordo com a ação, Calegari teria usado sua função de diretor para determinar que uma cozinheira da escola fosse até o estabelecimento para preparar café e lanche para os alunos que ocupavam o prédio.
A servidora se recusou a seguir a ordem, mas Calegari teria entregado a chave da cozinha para os alunos, que consumiram a merenda escolar. Calegari foi chamado ao local por Machado. Após o término das ocupações, a cozinheira teria sido realocada pelo diretor como servente de cozinha. Segundo a ação, há indícios ainda de que o diretor utilizava o veículo próprio para levar estudantes para outras escolas, com o intuito de incentivar as ocupações.
Na Ação Civil Pública, a 4ª Promotoria pede a condenação do diretor e do estudante, com aplicação de multa de até 100 vezes o valor da remuneração do diretor, a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por período entre três e cinco anos, além de proibição de contratar com o poder público por três anos.
A reportagem tentou contato com o diretor João Luiz Calegari e com o estudante Bruno Lucas Machado, o Gurgel. Calegari não atendeu às ligações da reportagem. Já Machado estava com o celular desligado.