A nomeação do deputado federal Fernando Filho (PSB) para o ministério das Minas e Energia do governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) rachou o PSB, opondo a cúpula do partido e as bancadas de deputados e senadores.
Em reunião da Executiva no dia 10 de maio, dias antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), a executiva do PSB aprovou uma resolução indicando que não ocuparia cargos no novo governo.
O texto aprovado na reunião informa que “a Direção Nacional do PSB não indicará e não chancelará nomes para compor o governo”.
A despeito da resolução, a maior parte das bancadas de deputados e senadores do PSB optou por bancar a nomeação do ministro.
A decisão gerou desconforto entre os dirigentes do PSB, sobretudo nos governadores Paulo Câmara (PE), Rodrigo Rollemberg (DF) e Ricardo Coutinho (PB), que defenderam que o PSB ficasse fora do novo governo.
A reportagem apurou que membros da executiva e aliados dos governadores consideram que a situação interna é de instabilidade e que o partido está “desorientado” em relação ao novo cenário político.
O temor é que o partido esteja diretamente vinculado a um governo que tome decisões conservadoras no campo social, com redução de direitos trabalhistas e cortes em programas de transferência de renda.
Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirma que o partido preferiu não pleitear cargos para deixar o presidente à vontade para escolher sua equipe. E diz que não haverá punição pela indicação ao ministério.
“Os deputados e senadores expressaram o desejo de indicar um nome para o governo. Estávamos cientes que isso aconteceria”, diz Siqueira, negando que exista tensão interna no partido.
Já o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), pai do ministro Fernando Filho e principal articulador de sua nomeação, admite que houve divergências, mas diz que as mesmas estão sendo superadas: “Estamos deixando as coisas assentarem”.