As eleições municipais realizadas no último domingo tiraram do cenário político metade dos prefeitos da região de Apucarana que estavam tentando a reeleição. Dos 20 que estavam na disputa, dez não conseguiram se reeleger.
Vale lembrar que nos 30 municípios da região de Apucarana outros 10 prefeitos não se candidataram nas eleições deste ano. Cinco porque já estão no segundo mandato e outros cinco porque simplesmente abriram mão de disputar o pleito, apesar de estarem no primeiro mandato.
Desta forma, dos 30 prefeitos eleitos, 20 fazem parte da renovação, ou seja, 66,6%. Levando-se em conta apenas os 26 municípios que pertencem à Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), dos atuais prefeitos apenas 8 retornam para o próximo mandato, o que dá uma renovação de 69% na Amuvi.
REELEITOS
Os prefeitos que conseguiram se reeleger são Beto Preto (PSD), de Apucarana; Adilson Luchetti (PSB), o Didi, de Borrazópolis; Antônio Cláudio Santiago (PP), o Toninho Santiago, de Grandes Rios; Benedito José Púpio (PSC), o Ditão Púpio, de Jandaia do Sul; Washington Luiz da Silva (PSDB), de Kaloré; Gerôncio José Carneiro Rosa (PTB), de Rio Branco do Ivaí; Edson Hugo Manueira (PSD), de Sabáudia; Fábio Hidek Miura (PSC), de São João do Ivaí; Bete Camilo (PR), de Manoel Ribas; e Lourdes Banach (PPS), de Ortigueira.
NÃO DISPUTARAM
Ficaram de fora da disputa eleitoral deste ano os prefeitos Manoel Salvador (PTB), de Arapuã (1º mandato); Maurício Aparecido de Castro (PSC), o Ná do Açougue, de Bom Sucesso (1º mandato); José Maria dos Santos (PSDB), de Cruzmaltina (1º mandato); Adilson Silva Lino (PDT), de Faxinal (2º mandato); Primis de Oliveira (PTB), de Godoy Moreira (2º mandato); Luiz Carlos Gil (PSDB), de Ivaiporã, (1º mandato); Neuza Pessuti (PMDB), de Jardim Alegre (1º mandato); Celso Antônio Barbosa (PP), o Magrelo, de Lidianópolis (2º mandato); Pedro Sérgio Mileski (PV), de Marilândia do Sul (2º mandato); e Maria Regina Della Rosa Magri (DEM), que exerce o segundo mandato consecutivo.
Outros ex-prefeitos tentaram voltar ao poder no pleito deste ano. Alguns conseguiram, outros não.
Estarão de volta à Prefeitura a partir de 2017 os ex-prefeitos Paulinho Moisés (PP), de Califórnia; Hermes Wicthoff (PTB), de Mauá da Serra; e Moacir Andreola (PSD), de Novo Itacolomi. Em Arapuã, dois ex-prefeitos disputaram o cargo nas eleições deste ano: Deodato Matias (PMDB) e Pedro Dias (DEM), com vitória de Deodato Matias.
Tentaram reassumir a Prefeitura e não conseguiram os ex-prefeitos José Bisca (PSDB), de Arapongas; Sidney Bellini (PSDB), de Cambira; Toninho Cezário (PPS), de Godoy Moreira; Natal André (DEM), de Jardim Alegre; Pedro Taborda (PMDB), de Rio Branco do Ivaí; Almir Batista dos Santos (PDT), de Sabáudia; e Clóvis Bernini Júnior (PMDB), o Juninho, de São João do Ivaí.
Para especialista, troca de mandatários é fruto da conturbação política do País
Para o cientista político Elve Cenci, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), esta renovação não só nas administrações municipais como nas câmaras de vereadores tem a ver com a própria conturbação política que vive o País. Segundo ele, os protestos que eclodiram em 2013 visavam a melhoria na qualidade dos serviços públicos. “A classe política parece não ter entendido o aviso. Agora, passados três anos, o recado está sendo dado nas urnas”, avalia.
Elve Cenci explica que muitos o fazem através do voto clássico de protesto: branco ou nulo. Isso aconteceu em São Paulo (38,48% de abstenções, brancos e nulos), Apucarana (20.85%) e, recorde, Arapongas (46,64%).
“Se somarmos a percepção da população acerca da baixa qualidade dos serviços públicos, o pouco dinheiro disponível em virtude do péssimo momento da economia e o desprestígio da política no momento atual, temos o cenário perfeito para trocar os mandatários ou rejeitar o processo eleitoral”, diz.
Sobre Apucarana, onde o prefeito conseguiu 86,11% dos votos válidos, uma das maiores votações da história do município e do Paraná, Cence avalia como uma situação atípica.
“O caso de Apucarana é um ponto fora da curva e deve ser entendido a partir de fatores conjunturais locais”, conclui. (EDITORIA DE POLÍTICA)