A arrecadação com multas e impostos pagos com a repatriação de recursos mantidos ilegalmente no exterior somou quase R$ 51 bilhões, segundo informou a Receita Federal nesta terça-feira. Esse valor é referente a uma regularização de recursos que totalizam R$ 169,9 bilhões, de 25.114 pessoas físicas e 103 pessoas jurídicas.
A estimativa inicial do governo era arrecadar R$ 50 bilhões com a repatriação, cujo prazo terminou nesta segunda (31). Na semana passada, a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, afirmou que esses recursos devem ser usados para quitação de restos a pagar de anos anteriores, amenização do déficit de 2016 e como uma reserva para riscos fiscais.
Os dados divulgados pelo Banco Central sugerem que, mesmo que o governo priorizar o pagamento dos restos a pagar, hoje em R$ 60 bilhões, sobrará dinheiro para entregar um resultado primário melhor do que o imaginado.
Isso porque a estimativa de especialistas é que o governo conseguiria quitar no máximo metade desses restos até o fim do ano, já que boa parte desse tipo de despesa não é de liquidação imediata e não pode ser paga automaticamente pelo governo.
Além disso, o governo ainda tem R$ 75,5 bilhões para gastar até o fim do ano - no acumulado de janeiro a setembro, o déficit é de R$ 94,5 bilhões, mas a meta estimada para o ano todo é de R$ 170,5 bilhões de resultado negativo.
Metade disso vai para o rombo da Previdência Social, que deve crescer de R$ 112 bilhões, no acumulado até setembro, para R$ 149,2 bilhões no final do ano - ou seja, um aumento de R$ 37,2 bilhões. (FOLHAPRESS)