POLÍTICA

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Requião propõe governo “que sirva à população paranaense”

Fernando Klein

| Edição de 09 de setembro de 2022 | Atualizado em 09 de setembro de 2022
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Três vezes governador do Paraná pelo PMDB, Roberto Requião concorre a um quarto mandato nas eleições de outubro agora pelo PT. Em entrevista à Tribuna, o experiente político de 81 anos defende um mandato que “sirva à população” e que não seja baseado no liberalismo econômico. Requião também faz duras críticas ao modelo de governo do principal adversário, o atual governador Ratinho Junior (PSD), que concorre à reeleição, e promete resgatar programas sociais e econômicos desenvolvidos em suas gestões no Estado. 

“Eu quero que o governo sirva à população, que tenha solidariedade com as pessoas e identidade com o povo. Nós não temos nada disso hoje no Paraná”, assinala Requião. O candidato ao Palácio Iguaçu pelo PT afirma que o governador Ratinho Junior “não tem nada para mostrar”. 

“(Ratinho Junior) aparece em uma fotografia do lado da ponte de Itaipu, que a própria Itaipu está construindo. Tira fotografias em obras do pedágio as quais as concessionárias foram obrigadas a fazer por imposição do Ministério Público Federal. Não há governo no Paraná. Por outro lado, estamos com tarifas absurdas de água e luz”. 

Requião critica o modelo liberal da atual gestão. “Estou na linha do Papa Francisco, que tem se pronunciado contra essa política que coloca todo dinheiro do mundo na mão de muito pouca gente e transforma o povo semiescravizado como uma espécie de instrumento para o enriquecimento dos poderosos”, diz. 

Segundo o ex-governador, Ratinho Junior é discípulo do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Nossa Copel foi fundada em 1954 pelo (ex-governador) Bento Munhoz da Rocha para servir a população e eletrificar o interior do Estado, possibilitando a industrialização. Hoje, está escravizada ao interesse do mercado”, argumenta, acrescentando que fundos norte-americanos são acionistas e recebem recursos vindos do Paraná e da empresa. 

O ex-governador defende a retomada de projetos de seus governos. “Precisamos fazer com que o Paraná volte a ser o Estado que já foi no passado, do programa Trator Solidário, do Fundo de Aval, da diminuição de impostos dos pequenos empresários”, cita. 


Ex-governador critica novo modelo de pedágio proposto para o Estado

Roberto Requião, que utilizou inúmeras vezes a frase “ou baixa ou acaba” sobre o pedágio, criticou o novo modelo de concessão que deve entrar em vigor a partir de 2023. “É um pedágio com mais 15 praças e preços muito maiores do que existiam antes, que já eram um roubo”. Ele afirma que, no seu governo, negou 42 vezes o aumento das tarifas, mas as concessionárias acabaram conseguindo os reajustes em ações na Justiça. “Não pude fazer nada por falta de apoio, inclusive de deputados da Assembleia, mas mostrei que o Paraná estava sendo roubado”, disse.

No cenário nacional, ele afirma que é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre nestas eleições. Segundo Requião, “Lula é a esperança do país”. “Quem gosta do Brasil tem que votar no Lula, porque o resto é entreguismo. Estão entregando o petróleo, a soberania nacional e massacrando os empresários nacionais”, argumenta. 

Segundo ele, a votação de outubro no Paraná e no Brasil deve ser encarada como decisiva. “É a luta das nossas vidas, se não eles acabam com o Paraná e o Brasil”, completa.