POLÍTICA

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Rocha Loures entrega mala de dinheiro à PF com R$ 465 mil

Agência Brasil

| Edição de 24 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A defesa do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) entregou na noite de segunda-feira à Polícia Federal (PF), em São Paulo, uma mala com R$ 465 mil. Em abril, Loures foi filmado pela PF recebendo a mala, que, segundo as investigações, continha R$ 500 mil, e foi enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. No documento em que atestaram a apreensão, os policiais contaram 9.300 notas de R$ 50.

Imagem ilustrativa da imagem Rocha Loures entrega mala de dinheiro à PF com R$ 465 mil


Os documentos que comprovam a entrega foram enviados na manhã de ontem ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que, na semana passada, determinou o afastamento de Rocha Loures do mandato após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os advogados não se manifestaram sobre a falta de R$ 35 mil.
Pela denúncia, Loures aparece ainda em uma das conversas gravadas com Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da J&F, concordando em apresentar uma prévia do relatório da Medida Provisória do Refis, que ainda não era público. Na conversa, os dois falam sobre esconder o que a JBS queria no texto, incluindo os pontos como sugestão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.
Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo R$ 500 mil enviados por Joesley Batista. Loures é apontado como intermediário do presidente Michel Temer para assuntos do grupo J&F com o governo, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF), com base em áudio de conversa gravada por Joesley.
Em pronunciamento no último sábado, o presidente Temer afirmou que indicou Rocha Loures apenas para ouvir “as lamúrias” de Joesley Batista e negou que, com isso, o empresário fosse obter alguma vantagem ou benefício no governo.
PREÇO DE GÁS
Segundo a investigação, o presidente Temer indicou o deputado afastado para resolver uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica do grupo JBS. Em troca, o grupo se disporia a pagar propina semanal de R$ 500 mil que, segundo os dirigentes da empresa, seria destinada a ambos. O presidente nega e responsabiliza Rocha Loures pela operação.
De acordo com a investigação, o valor semanal poderia chegar a R$ 1 milhão se o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), valor fixado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em R$/MWh, para a comercialização da energia, ultrapassasse R$ 400.
A entrega do dinheiro para Rocha Loures, feita por Ricardo Saud, diretor da JBS, ocorreu em São Paulo. Depois de passar por três endereços em um mesmo encontro (um café em um shopping, um restaurante e uma pizzaria), Loures deixou a pizzaria levando uma mala preta com o dinheiro.