A Secretaria de Estado da Saúde, o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmaram ontem a transmissão comunitária da variante delta do coronavírus no Paraná. O conceito é definido quando o contágio entre pessoas ocorre no mesmo território, entre indivíduos sem histórico de viagem e sem que seja possível definir a origem da transmissão. Mais 16 casos e seis óbitos decorrentes da cepa indiana também foram confirmados.
Mesmo com essa confirmação, a predominância atual ainda é da cepa gama (P1/amazônica), que apareceu em janeiro. Ela não tem status de alerta junto aos organismos internacionais, mas estudos preliminares indicam que ela também é mais contagiosa que a versão original do vírus.
A Secretaria da Saúde também confirmou mais 16 casos e seis óbitos da delta no Paraná. Agora, o Estado soma 29 casos e 12 óbitos da cepa B.1.617 do vírus da Covid-19. São sete mulheres e nove homens com idades de 12 a 83 anos. As novas confirmações foram em Araucária (1), Colombo (1), Curitiba (3), Fazenda Rio Grande (1), Piên (2), Piraquara (1), Pinhais (1), Fernandes Pinheiro (3), Irati (1), Imbituva (1) e Campo Mourão (1). Os óbitos ocorreram entre 6 e 28 de julho em Curitiba (2), Piên (2), Imbituva e Irati, foram quatro homens e duas mulheres, com idades de 31 a 83 anos.
“Depois de avaliação técnica e investigação epidemiológica ampliada com a participação de todos os entes que sustentam a tríade do SUS, entre eles a equipe do Programa de Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS-Avançado), confirmamos a transmissão comunitária da variante delta, considerada de preocupação pelas organizações de saúde”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.
“Diante desse quadro, que requer atenção, mas não desespero, ressaltamos mais uma vez a importância fundamental das medidas não farmacológicas, que são o uso de máscara de proteção de forma correta, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Além disso, o elemento mais importante, talvez, é a necessidade da imunização, da vacinação. Quem tomou a primeira dose da vacina, não deixe de tomar a segunda dose. A imunização vai se mostrar o elemento mais importante do escudo imunológico que o cidadão pode ter”, disse.
Segundo a Sesa, esse resultado só foi determinado após uma investigação ampliada realizada no Estado desde a identificação do primeiro caso, confirmado em 2 junho, referente a uma paciente de 71 anos de Apucarana. A variante foi detectada em amostragem aleatória. Desde então, a Rede Genômica Fiocruz e o Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR) vêm ampliando o sequenciamento genômico do vírus no Estado por meio de amostragem representativa aleatória.
As equipes do EpiSus chegaram ao Paraná no começo do mês para integrar a investigação. O trabalho permitiu encontrar duas introduções independentes da variante: uma associada ao caso índice da viajante proveniente do Japão e a outra sem identificação, o que deu origem à conclusão de transmissão comunitária.