Cortar gastos em todos os níveis, reduzir cargos comissionados e cobrar resultados de todos os secretários municipais. Esta é a proposta de trabalho que o candidato a prefeito de Apucarana, Sérgio Bolonhezi (PSDB), pretende implantar à frente da administração municipal. Segundo ele, secretário que não produzir resultados em seis meses, será substituído. Segundo candidato a prefeito entrevistado pela Tribuna, Sérgio Bolonhezi é empresário no ramo de confecções, com curso superior em Gestão Pública, e há 22 anos coordena os trabalhos do movimento da Igreja Católica Cristo Te Ama (Cristma), que atua na recuperação de dependentes químicos.
TRIBUNA DO NORTE – Mais uma vez o sr. é candidato a prefeito de Apucarana. Por que se propõe a ser prefeito?
SÉRGIO BOLONHEZI – Porque nossa cidade tem vários problemas e me sinto preparado para desenvolver as soluções.
Entrei para a política em 2005 como o vereador mais votado de Apucarana naquela ocasião e percebemos que nossa candidatura vem crescendo a cada eleição em outros níveis. A população tem sinalizado isso com as votações expressivas que tem dado à nossa candidatura.
TN – Como o sr. avalia a situação do município de Apucarana, hoje, do ponto de vista econômico no contexto regional e estadual?
SÉRGIO BOLONHEZI – Apucarana tem um potencial enorme para se desenvolver. Temos uma economia diversificada e grandes potenciais para serem explorados sobretudo pela sua posição estratégica no Paraná e capacidade empreendedora de nossos apucaranenses.
Apucarana não pode ser pensada só para as eleições municipais. Tem que ter um planejamento para o futuro.
TN – O sr. sabe qual o montante da dívida do município herdada das administrações anteriores pela gestão atual?
SÉRGIO BOLONHEZI – Quando a atual administração assumiu eles falavam em R$ 200 milhões. Agora falam em R$ 400 milhões. Eu tenho dúvida da existência dessa dívida, porque quando um município deve ele não tem crédito para contratar R$ 16 milhões de empréstimos para asfalto como obteve. A dívida com os bancos Santos e Itamarati está sub judice e acredito que nem será paga. Segundo laudos técnicos, há quem diga ainda que o município terá devolução de parte deste dinheiro desta dívida que está suspensa.
TN – Então o sr. acredita que a situação encontrada pela gestão atual não foi tão ruim assim?
SÉRGIO BOLONHEZI – Apucarana herdou de gestões passadas muitas obras e recursos financeiros. Por exemplo: na área de educação. Quando a Secretaria Municipal de Educação foi transformada em Autarquia Municipal de Educação, essa mudança deixou no caixa da autarquia mais de R$ 1 milhão por mês para se gastar em educação, o que dá quase R$ 50 milhões nos quatro anos de mandato.
Assim aconteceu também com a Saúde, onde a secretaria também foi transformada em Autarquia Municipal de Saúde. Com essa mudança os encargos sociais de 20% da parte patronal não mais precisaram ser recolhidos. Esse valor fica retido para ser investido mais na saúde.
TN – O sr. tem conhecimento de quanto é o orçamento do Município neste ano e qual será o do ano que vem?
SÉRGIO BOLONHEZI – Neste ano são mais ou menos R$ 305 milhões e para 2017 em torno de R$ 320 milhões.
TN – Sendo eleito prefeito, como pretende administrar esse orçamento?
SÉRGIO BOLONHEZI – Vamos administrar este orçamento com corte de gastos em todos os níveis, redução de cargos comissionados e fomentando o desenvolvimento do município para geração de mais recursos, além de buscar mais recursos estaduais e federais para investir no município. Nossa intenção é reduzir de 400 para menos da metade os cargos comissionados. Londrina, que é um município bem maior, tem 80 cargos comissionados. Por que Apucarana precisa ter esta quantidade?
Queremos trabalhar com um número reduzido de comissionados, somente o necessário, e valorizar mais os efetivos e envolve-los mais na administração municipal, porque entra e sai prefeito eles continuam.
Vamos estabelecer um contrato de gestão com os secretários municipais, que terão que produzir resultados. O secretário que não produzir resultados dentro de seis meses será substituído.
Nossa meta é fazer mais do que a nossa obrigação, que é asfalto, iluminação, poda de árvores, etc. Queremos pensar nas famílias apucaranenses possibilitando-lhes qualidade de vida.
TN – O sr. fala muito em cortar cargos comissionados, mas o sr. também ocupou cargos desta natureza no governo Richa. Como assim?
SÉRGIO BOLONHEZI – No cargo que exerci na Cohapar nós produzimos resultados em Apucarana e no Vale do Ivaí. Foram construídas mais de 6 mil casas entre programas urbanos e rurais. Que fique claro que eu não sou contra cargos comissionados, porque todo prefeito precisa ter sua equipe de confiança. O que não pode é fazer uso político desses cargos, com a colocação de apadrinhados, mas sim pessoas que possam trabalhar pela nossa gente.
TN – Quais são as principais propostas de seu Plano de Governo?
SÉRGIO BOLONHEZI – Primeiro a Saúde. Vamos fortalecer o Hospital da Providência e implantar um hospital público moderno e eficiente; construir o PAI (Pronto Atendimento Infantil) com funcionamento 24 horas; atendimento especial à gestante; e implantação de uma clínica pública de recuperação de dependentes químicos. Com relação ao Hospital da Providência também queremos estabelecer um braço forte junto aos governos estadual e federal, além de cobrar apoio à instituição de todos os deputados estaduais e federais que tiveram votos em Apucarana.
Na Educação, vamos constituir uma equipe multidisciplinar para atuar nas escolas com psicólogas, fonoaudiólogas e psicopedagogas e também a figura do assistente social escolar para apoio aos nossos alunos e suas famílias e ao corpo docente.
Vamos implantar eleições diretas para o cargo de diretor e valorizar o professor com o Plano de Cargos e Carreira. Vamos reativar a Guarda Mirim.
TN – O desemprego é hoje um problema grave em todo o País e em Apucarana não é diferente. De que forma a administração municipal pode contribuir para amenizar este problema?
SÉRGIO BOLONHEZI – Vamos preparar nossos parques industriais com infraestrutura para apoiar as empresas que já geram emprego em nossa cidade e tornar a cidade mais convidativa para receber novos investimentos empresariais. Vamos dar incentivos fiscais e doar terrenos para atração de novas empresas. Vamos capacitar mão de obra para ser absorvida no mercado de trabalho.
Também vamos fortalecer as micro e pequenas empresas que hoje são em torno de 4 mil em Apucarana, dando-lhes apoio técnico e financeiro através do BRDE e a Fomento Paraná.
TN – Cite outras propostas de seu plano de governo que considera importantes.
SÉRGIO BOLONHEZI – Com relação ao transporte coletivo vamos licitar o serviço e exigir que, gradativamente, sejam colocados ônibus com ar condicionado e Wi Fi, com passagem dando direito ao usuário de, após desembarque, usá-la novamente em outra linha após período de uma hora. Após licitação, vamos estabelecer regras claras e definidas em favor da população.
Na área de infraestrutura urbana vamos criar o Consórcio do Asfalto e executar pavimento com qualidade e três vezes mais barato. Vamos organizar o sistema viário implantando o sistema binário.
Na segurança pública, vamos fazer a manutenção das câmeras de monitoramento e devolvê-las funcionando, inclusive com monitoramento em tempo integral pelo SIS-Sistema Integrado de Segurança. Vamos criar novos módulos policiais de maneira que a polícia possa estar presente nos bairros da cidade e distritos.
Na área rural vamos colocar a patrulha rural para adequar e conservar as estradas rurais. Vamos concluir a pavimentação dom pedras da estrada do Barreiro.
Na habitação, queremos buscar recursos nas esferas federal e estadual para zerar o déficit habitacional e retomar o programa Minha Casa, implantado na década de 90 para famílias de baixa renda através de lotes urbanizados.
TN – O sr. diz que é contra a reeleição de prefeito e de vereador. Por que defende isso se o sr. já apoiou a reeleição de determinado prefeito em Apucarana e também a do governador Beto Richa?
SÉRGIO BOLONHEZI – Eu sou contra a reeleição em todos os níveis. Esta é uma convicção pessoal minha. Em 2005, quando fui vereador, disse que não concorreria à reeleição e não concorri. E se for eleito prefeito não tentarei voltar à Prefeitura depois de quatro anos. Este é meu compromisso com a população. Agora, não sou contra quem busca reeleição, porque este é um direito estabelecido por lei. A população é que decide se a reeleição é boa ou não.