POLÍTICA

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Temer decide manter ministros envolvidos em denúncias

Folhapress

| Edição de 07 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O presidente interino Michel Temer decidiu na manhã de ontem manter no cargo os ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fábio Osório (Advocacia-Geral da União), além de Fátima Pelaes (Secretaria da Mulher). Em reunião com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Governo), o peemedebista avaliou que ainda não há motivos suficientes para afastá-los do posto.

Imagem ilustrativa da imagem Temer decide manter ministros envolvidos em denúncias

Ele ponderou ainda que é necessário entender a amplitude de um eventual envolvimento do ministro do Turismo na Operação Lava Jato antes de se tomar uma decisão.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, no entanto, Eliseu Padilha reconheceu que “constrangem” o governo interino as informações reveladas pela Folha de S.Paulo de que Alves teria atuado para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

Em nota que seria distribuída à imprensa, Alves sustenta que não há fatos novos em relação a ele e disse haver “motivações políticas” na informação.

“Não poderia silenciar diante de tamanho absurdo, o que provarei quando tiver conhecimento do inteiro teor do inquérito”, disse. “Sobre as relações com políticos e empresários, todas são pautadas pela ética, cordialidade, respeito recíproco e a liturgia institucional do cargo público ocupado”, acrescentou.

Em relação a Osório, Temer se reuniria com o advogado-geral ainda ontem para garantir sua permanência no cargo. O presidente ficou incomodado com sua atuação nos últimos dias.Temer não gostou do advogado não ter atuado para impedir a volta do presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), escolhido pela presidente afastada Dilma Rouseff. O ministro do STF Dias Toffoli concedeu liminar a Ricardo Melo, determinando sua volta ao posto de presidente da EBC porque não teria sido feita a defesa do governo Temer na nomeação do jornalista Laerte Rímoli para o mesmo posto.

Em referência a Fátima Pelaes, suspeita de integrar uma “articulação criminosa” e nomeada nova chefe da secretaria de mulheres, o presidente interino ainda não tomou uma decisão definitiva. O peemedebista decidiu ampliar a pesquisa sobre o histórico público e judicial da presidente do PMDB Mulher antes de dar posse a ela do cargo. Nas palavras de um assessor presidencial, com o que foi revelado até o momento, tornou-se “insustentável” a permanência dela no posto.

Novas nomeações estão suspensas

Ontem, o presidente interino Michel Temer anunciou a suspensão de todas as nomeações para diretorias e presidência de empresas estatais e de fundos de pensão.

A decisão é válida até a aprovação pela Câmara de um projeto de lei, que já passou pelo Senado, e que determina que as designações só serão feitas com pessoas de “alta qualificação técnica” e preferencialmente “integrantes dos quadros” dessas empresas e órgãos.

A medida freia as negociações entre governo e a base aliada, que pleiteava cargos em companhias como Eletrobrás, Itaipu, Furnas e Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Em fundos de pensão, órgãos como Funcef e Petros são alvos de investigações por operações irregulares.

A iniciativa é proposta como tentativa de agenda positiva no momento em que o governo enfrenta desgastes com o envolvimento de ministros nas investigações da Operação Lava Jato.