Por 55 votos a 22, o Senado Federal afastou do cargo por 180 dias, na manhã de quinta-feira, a presidente da República Dilma Rousseff (PT), acusada, entre outras irregularidades, de se utilizar de “pedaladas fiscais” em seu governo. Em seu lugar assumiu interinamente a Presidência do País o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que conclamou os congressistas e a sociedade para se juntar a um projeto que ele denomina de “salvação nacional”. Ele fica no cargo até o julgamento final do impeachment da presidente no Senado, podendo permanecer no comando do País até final do mandato caso o impeachment seja consolidado.
O que a sociedade brasileira espera, pelo menos como prioridade do momento, é a recuperação da economia do País, que está quebrada em todos os níveis. Empresas fecharam as portas, outras estão trabalhando no vermelho e o desemprego é significativo em todo o País, atingindo cerca de 10 milhões de trabalhadores.
Qual a expectativa de mudança deste quadro negativo da economia do País com a troca de comando da Presidência? Esta é uma pergunta que muitos brasileiros estão fazendo.
Para o economista Rogério Ribeiro, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar-Fecea), campus de Apucarana, só a troca de comando do País não vai resolver muita coisa. Segundo ele, o déficit fiscal é grande e o governo terá que contar com o apoio do Congresso Nacional para aprovar suas medidas que achar necessárias para amenizar o problema.
“O governo de Michel Temer terá como maior desafio o de estabilizar o que ele chamou de queda livre da economia”, observa Rogério Ribeiro. “É certo que o governo de Dilma Rousseff foi extremamente irresponsável com relação à economia, pois aumentaram os gastos sem garantir o equilíbrio entre receitas e despesas públicas. Com isto gerou sucessivos déficits fiscais que foram financiados com o aumento do endividamento público”, explica.
Conforme o professor Rogério, as práticas do governo Dilma pressionaram a inflação e os juros para cima e isso fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) parasse de crescer num primeiro momento e entrasse em recessão, num segundo momento. A consequência foi o aumento do desemprego e a criação de um quadro de insatisfação total com o governo e a ausência de credibilidade para com o governo, por parte do mercado.
Para o economista, “o simples fato de termos o afastamento de Dilma da Presidência da República e a assunção de Michel Temer não resolve todo o cenário posto”, analisa. Para o professor, o maior desafio será reverter o déficit fiscal, tarefa que pode ser considerada de difícil solução, haja vista a previsão de cerca de R$ 100 bilhões de déficit para 2016. Ele observa que tamanho é o problema que o governo Temer pode pedir para o Congresso Nacional rever a meta de resultado primário. Os primeiros anúncios que saem na imprensa dão conta do caminho escolhido para a condução da economia brasileira e este é totalmente oposto ao que vinha sendo utilizado pelo governo Dilma.
Quadro não será revertido a curto prazo
Na última sexta-feira, o novo governo já anunciou o corte de 4 mil cargos comissionados, além de gratificações. O professor Rogério Ribeiro observa que outras medidas estão por vir, como a redução das desonerações tributárias que garantem reduções ou isenções tributárias para o setor produtivo que, combinado com a elevação ou criação de impostos, podem contribuir com a busca da redução do déficit. Mas isso, segundo o economista, não resolverá o problema. Para isto o governo deverá reduzir, ainda mais, as despesas.
Para professor Rogério, tudo ainda está por fazer. Segundo ele, o governo não irá conseguir reverter o quadro no curto prazo. “Os resultados previstos para 2016 poderão ser abrandados, mas a inflação deverá ficar acima da meta e o PIB irá encolher. O que podemos sentir até o final do ano é a contenção do desemprego e a melhora em políticas públicas de saúde e de educação. Mas temos que lembrar que suas ações se limitam a 180 dias e, se confirmando sua manutenção na Presidência da República e dando continuidade às ações anunciadas, os indicadores poderão começar a ter reversão para resultados positivos a partir de meados de 2017”. (E.C )
Para presidente da Acia, período de incerteza acabou
O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia), Júnior Serea, considera que o afastamento da presidente Dilma Rousseff, aprovada nesta semana pelo Senado, deve encerrar este processo de incerteza quanto ao futuro do País, apesar da insistência de Dilma e seu grupo de que se trata de um “golpe”. Segundo ele, “o que ela praticou pode não ser crime comum, mas foi um ato administrativo que leva à perda do mandato conforme prevê a Constituição Federal”, afirma.
Para Júnior Serea, o afastamento da presidente também demonstra que as instituições deste País estão funcionando de acordo com a lei e atendendo aos apelos dos movimentos de ruas. “Da mesma forma, a classe política demostra que está sensível aos reclamos do povo brasileiro”, analisa.
Para Júnior Serea, o simples fato de haver uma troca de comando do País já é uma esperança de algo positivo para o setor produtivo. No entanto, há ainda de se esperar as medidas que a área econômica vai tomar nos próximos dias. Essas medidas, conforme assinala, devem estar respaldadas por um rigoroso controle dos gastos públicos e com incentivo à retomada do crescimento e da geração de empregos. (E.C )