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Apenas 55% das crianças estão protegidas contra pólio na região

Fernando Klein

| Edição de 09 de agosto de 2022 | Atualizado em 09 de agosto de 2022
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A baixa cobertura vacinal da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, coloca autoridades de saúde em alerta na região. Nos 17 municípios pertencentes à 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, o índice de cobertura acumulado até junho deste ano atinge pouco mais da metade (55,36%) do número total de crianças menores de um ano. A meta recomendada pelo Ministério de Saúde é de 95%.

Os quadros mais preocupantes na região, segundo o levantamento feito pela 16ª RS a partir do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, estão em Novo Itacolomi, com cobertura de 33,3%; Marilândia do Sul (35,2%), São Pedro do Ivaí (45,1%) e Apucarana (49,38%). 

Anelize Sassá, coordenadora do programa regional de imunização da 16ª Regional de Saúde, explica que esse levantamento é referente ao esquema básico de três vacinas de pólio para crianças com menos de 1 ano de idade, que prevê uma dose aos dois meses de idade, outra aos quatro meses e uma terceira aos seis meses. “Além dessas três doses com menos de 1 ano de idade, ainda há a necessidade de mais uma dose aos 15 meses e um reforço aos 4 anos”, explica. 

Ela afirma que a baixa cobertura vacinal da doença é preocupante e os números vêm caindo ano a ano. Em 2016, os 17 municípios da região atingiram índice de 82,22%, passando para 89,82% em 2017; 91,24% em 2018; 83,95% em 2019; 72,63% em 2020 e 77,88% em 2021. 

Anelize afirma que é fundamental que os pais levem seus filhos para vacinar. Juntamente com os demais países das Américas, o Brasil foi certificado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como livre da poliomielite em 1994. No entanto, justamente a redução da cobertura vacinal está gerando riscos da reintrodução da doença. Em alguns países, o vírus voltou a circular, como é o caso dos Estados Unidos. A doença foi confirmada por autoridades de saúde de Nova York agora em julho de 2022.

Segundo ela, a baixa cobertura não é apenas reflexo da pandemia de covid-19, que gerou uma queda na imunização, mas também de movimentos antivacina. “Esses movimentos passaram a enaltecer eventos adversos, esquecendo dos benefícios e da proteção dessas vacinas”, diz, observando que o risco da volta da paralisia é real. “É uma doença grave. Até hoje ainda convivemos com algumas pessoas que contraíram a pólio”, diz. 

Segundo ela, a baixa cobertura da vacina contra a pólio não é uma exceção. “A falta de procura da pólio é um retrato de um problema que ocorre na maioria das outras vacinas, desde febre amarela até sarampo, entre outras”, diz. 


Vacina contra paralisia infantil é administrada na forma injetável e oral 

A Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite começou na segunda-feira (8) justamente para tentar reverter o quadro. A imunização é destinada a crianças com idade entre 12 meses e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses), incluindo as que já receberam as vacinas anteriormente. Simultaneamente, acontecerá também a Multivacinação para Atualização da Caderneta de menores de 15 anos de idade.

São disponibilizadas também doses que protegem contra diversas doenças como hepatite, tétano, difteria, meningite, febre amarela, sarampo, rubéola, caxumba, catapora, gripe e covid-19, entre outras. A campanha segue até 9 de setembro, com o Dia D acontecendo em 20 de agosto. 

São dois tipos de vacina contra a poliomielite. O PNI (Programa Nacional de Imunização) recomenda que seja administrada a vacina inativa —de injeção intramuscular —aos dois, quatro e seis meses de idade. Ela foi introduzida em 2012 com duas doses, mas ampliada para três doses em 2016. 

A injeção é considerada mais eficaz e segura que as famosas gotinhas que erradicaram a doença no Brasil e em boa parte do mundo. Aos 15 meses e aos quatro anos, a imunidade da criança é reforçada com as gotinhas da vacina oral.