A Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Apucarana confirmou ontem o primeiro caso de dengue de 2017. O paciente com dengue é uma criança de cinco meses, que retornou de Santa Catarina, com sintomas da doença. Além dela, um irmão de 16 anos tem suspeita de dengue e a confirmação depende de laudo do Lacen. Os primeiros registros também começaram a surgir em Ivaiporã – município que registrou epidemia da doença no ano passado – e teve dois casos confirmados no último relatório da Sesa. Há ainda outro caso confirmado em Ariranha do Ivaí. O surgimento dos casos, aliado as condições climáticas favoráveis à proliferação do Aedes aegypti colocam as autoridades de saúde em alerta.
Em Apucarana, a criança apresentou os primeiros sintomas da doença no dia 9 e imediatamente houve a coleta de material para análise. Segundo a AMS, equipes do Departamento de Endemias realizaram o bloqueio na região próxima a residência da criança, com aplicação de fumacê e visita a imóveis vizinhos para eliminação dos possíveis focos do Aedes aegypti, transmissor da dengue.
A questão climática deste início de ano – chuvas intensas – aliada à falta de cuidado dos moradores tem preocupado o Departamento de Endemias da Autarquia Municipal de Saúde. Nas visitas realizadas em residência e terrenos baldios, os agentes de endemias têm encontrado muitas larvas que se desenvolvem em reservatórios de água, principalmente em copos plásticos, tampas de garrafas e outros objetos.
Segundo o presidente da AMS, Roberto Kaneta, esta é uma situação esperada para este período do ano, em função, principalmente, das denominadas chuvas de verão. “Até o mês de março iremos conviver com este quadro, mas é fundamental a população colaborar e manter os quintais sempre limpos”, alerta o diretor presidente.
NÚMEROS
No último boletim da dengue divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, no Paraná foram registrados 439 casos de dengue, 14 de zika e três de chikungunya, sem mortes relacionadas a essas doenças. De acordo com a Secretaria de Saúde, o Estado do Paraná tem 315 municípios infestados com o mosquito transmissor, em levantamento realizado no período agosto de 2016 a 24 de janeiro. Na região, o primeiro caso de dengue foi registrado na primeira semana de janeiro, em Arapongas.
Prefeitura de Ivaiporã aplica multa e aposta em ‘disque-dengue’
Assim como em Apucarana, os dois casos de dengue confirmados em Ivaiporã são importados – ou seja, a contaminação aconteceu em outra localidade. Por conta da epidemia registrada no ano passado – foram 167 casos -, a Secretaria de Meio Ambiente já havia reforçado a equipe de fiscalização principalmente em relação a terrenos baldios. A prefeitura criou inclusive um novo serviço disque dengue para a população denunciar focos de dengue. Iniciado na última segunda-feira, o serviço já recebeu 19 denúncias.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Jayme Ayres, o momento é de mobilização contra o mosquito da dengue. “Estamos com dois fiscais que, em apenas dois dias, notificaram 35 propriedades. Para a próxima semana estaremos com seis fiscais nas ruas”, adianta Jayme Ayres.
Após a notificação, os proprietários têm 10 dias para fazer a limpeza do terreno. Caso não seja feita no prazo estipulado, a prefeitura faz a limpeza, cobra o serviço além de multas e despesas que podem ultrapassar R$ 1,5 mil.
A prefeitura também está fazendo valer a lei municipal que fixa multa para donos de imóveis com focos do mosquito. A multa é cinco Unidades de Valor Fiscal (UVFs), ou seja, um montante de R$ 307,45.
“O infrator será orientado e terá um prazo para se adequar. Caso, não aconteça às adequações necessárias ou a reincidência, não haverá alternativa e a multa será aplicada. Ele também responderá ação judicial”, explica Ayres. O disque dengue atende no 3472-2620, de segunda à sexta feira, 8 às 17 horas. (IVAN MALDONADO)