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Apucaranense preso na Tailândia foi cooptado pelo tráfico, diz defesa

DA REDAÇÃO

| Edição de 26 de fevereiro de 2022 | Atualizado em 17 de março de 2022

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A defesa do apucaranense Jordi Vilsinski Beffa, de 24 anos, preso com cocaína na Tailândia, afirma que ele foi cooptado pelo tráfico de drogas. O jovem foi preso na semana passada com 6,5 quilos do entorpecente junto com outros dois brasileiros. O advogado criminalista Petrônio Cardoso, de Apucarana, que atua na defesa de Beffa, encaminhou documentação à embaixada brasileira na capital tailandesa com certidões negativas do jovem a fim de comprovar que ele não possui antecedentes criminais e que merece responder o crime em liberdade. 

“Jordi não é um traficante, não ostenta riqueza, não tem carro. Ele levava uma vida regrada em Apucarana, estava trabalhando de forma registrada na indústria de confecção de máscaras e era um bom funcionário. Infelizmente acabou sendo cooptado pelo tráfico de drogas para trabalhar de ‘mula’, e acabou sendo preso do outro lado do mundo”, disse o advogado em entrevista à repórter Silvia Vilarinho, no Jornal da Tribuna. 
Cardoso acredita que o jovem tenha sido atraído por meio das redes sociais e provavelmente tenha se iludido com a promessa de viajar para um país paradisíaco e ganhar dinheiro fácil. “As pessoas vão se aproximando, vendendo ilusão, se encontrando em festas, bares, formatando dentro da cabeça a ideia de visitar o paraíso, no caso a Tailândia. A cidade onde fica o presídio onde Beffa está preso é maravilhosa, paradisíaca. Infelizmente ele está dentro de um presídio, mas era para passear, conhecer a cidade e ganhar um dinheiro fácil, enriquecer, mas não é essa a realidade do tráfico”, assinalou o advogado que defende que o jovem pague uma pena justa pelo crime que cometeu.
Cardoso conta com o auxílio do advogado Matheus Machado que foi responsável pelos primeiros contatos com a embaixada e que agora tenta acionar advogados tailandeses, uma vez que a legislação daquele país exige que a defesa seja feita exclusivamente por advogados de lá. “Embora exista toda a dificuldade do idioma, estamos buscando a melhor defesa possível para o Jordi”, afirmou Machado.
“Nós levantamos que para os pais dele é humanamente impossível pagar os custos processuais. A família mora em uma casa simples, o pai é porteiro a mãe é aposentada e juntos ganham dois salários mínimos”, complementou Petrônio.
O objetivo da defesa é provar que o jovem foi usado por criminosos, para que ele receba uma pena menor e possa responder em liberdade no Brasil. Os advogados confirmam que a Tailândia possui penas rígidas contra o tráfico de drogas, mas explicam que a legislação varia de acordo com o tipo e a quantidade de entorpecente. “Realmente existe pena de morte e prisão perpétua na Tailândia, todavia, o tráfico de cocaína se enquadra no tipo dois. Como Jordi não é traficante, ele foi usado para transportar a droga, há possibilidade de minorar a situação”, afirma Machado.