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Em falta no mercado, saca do feijão é cotada a preço recorde

Ivan Maldonado

| Edição de 02 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Problemas climáticos nas regiões produtoras de feijão carioca provocaram nos últimos meses o melhor valor histórico do produto. Na região de Ivaiporã, por exemplo, em uma semana houve aumento de 60% na cotação do produto. Com isso, o grão de melhor qualidade atingia ontem R$ 400 a saca de 60 quilos. Na semana passada, o preço pago ao produtor era de R$ 250. Com isso, na prateleira dos supermercados, o produto que já é considerado caro pelo consumidor deve atingir a marca dos R$ 10 o quilo do produto.

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Segundo o cerealista de Apucarana, Shigueo Kuroda, os estoques de feijão que ainda existem não serão suficientes para segurar a alta dos preços. “Na região não existe estoque. O pouco feijão carioca que ainda sobra está vindo de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Norte. Tem previsão para os próximos 30 dias entrar a colheita de Mato Grosso do Sul, mas a previsão é que será pouco e não deve interferir nos preços atuais”, relata Kuroda.

Marcos Vicente Raizama, cerealista em Ivaiporã diz que a redução nos estoques se deve aos problemas climáticos e aos preços baixos dos últimos anos. “Na região foram duas safras frustradas” explica Raizama. No feijão das águas, a maioria dos agricultores enfrentaram o excesso de chuva no final de dezembro e a primeira quinzena de janeiro. “Houve atraso na colheita e o resultado foi perda na qualidade, com grãos ardidos ou brotados”. Na época, este tipo de produto chegou a ser comercializado à R$ 50 a saca.

A safra do feijão das secas que está sendo colhida agora também sofreu com o contratempo climático. “No início do plantio houve muita chuva e na florada tivemos seca, como a planta estava sem vigor abortou. Quem colheu muito conseguiu 20 sacas”, relata Raizama. A média na região com clima normal é de 60 sacas por alqueire.

Proprietário de uma empresa de Apucarana que comercializa grãos, Fábio Gaspar conta que o feijão nunca havia atingido esse patamar antes.

“Historicamente, esse é o maior preço já comercializado pelo feijão. Com as chuvas dos últimos dias, os produtores não conseguem colher. Com isso, está previsto uma queda na safra. Com menos feijão no mercado, os preços tendem a subir”, ressalta.

Segundo ele, os preços devem continuar nesse patamar por mais algumas semanas. “Uma queda nos preços está prevista apenas para a segunda quinzena de julho, quando a nova safra deve chegar. Mas se as chuvas continuarem, os valores podem se manter ou mesmo aumentarem”, diz.

Quilo pode chegar a R$ 10

Nas prateleiras dos supermercados de Ivaiporã, o quilo de feijão carioca ainda era comercializado ontem por R$ 8,75. Mas quando acabar o estoque atual, o aumento é certo e deve atingir R$ 10 o pacote de um quilo.

O comerciante Edinilson Guergoletti que tem um mercado na Vila Nova Porã diz que nunca tinha visto o feijão carioca com preços tão elevados. “De um mês para cá é que o preço explodiu. É um produto que flutua muito, mas o máximo que havia chegado era R$ 5,99”.

Guergoletti relata que para não deixar de consumir, boa parte dos consumidores estão substituindo o feijão carioca pelo feijão preto. “Apesar do preço, o consumo do feijão não cai. No momento, o pessoal está optando por comprar o feijão preto, que está bem mais barato”, relata Guergoletti.

Ontem o feijão preto era comercializado nos supermercados de Ivaiporã na faixa de R$ 4,55 o pacote de um quilo.