Mais uma vez a cadeia pública de Arapongas ganha destaque no noticiário com o registro da quinta fuga neste ano. Neste ano, porque os efeitos decorrentes da superlotação dessa unidade se arrastam há muito mais tempo. Entre fugas em massa e as evitadas pela ação da polícia e tentativas de rebelião é vasto o histórico de problemas da carceragem.
Para tentar amenizar a tensão constante da unidade, a comunidade chegou a bancar a construção de um anexo para ampliar a capacidade de vagas da cadeia. A medida, como se vê, não surtiu o efeito desejado.
A superlotação das cadeias não é uma realidade exclusiva de Arapongas. Todas as carceragens da região abrigam uma quantidade de presos maior que suas capacidades. Contudo, a cadeia da 22ª Subdivisão Policial têm índices bem mais preocupantes.
Com capacidade oficial para 38 pessoas, a unidade tem menos capacidade, por exemplo, que a do município de Ivaiporã, que tem uma população duas vezes e meia menor que Arapongas, que tem 42 vagas e também enfrenta problemas constantes. Na última fuga, na segunda quinzena de julho, 26 presos escaparam.
Sinal do caos é que na noite de anteontem, mais de 12 horas depois da fuga, ainda não se tinha confirmação da quantidade de fugitivos. Apenas ontem o número foi divulgado. Escaparam da cadeia 19 presos. De maio para cá, mais de 70 presos escaparam da cadeia de Arapongas. Ontem, a polícia confirmou que mais de 150 permaneciam detidos.
Hoje, a política penitenciária do estado vem priorizando investimentos em presídios e casas de custódia, que são unidades maiores para presos ainda não condenados, os chamados temporários. Há inclusive um pacote de obras em andamento, que prevê entre novas unidades e reformas, a ampliação de 6,7 mil vagas prisionais.
Em tese, a ampliação de vagas neste tipo de unidade resolveria também o problema das delegacias. Contudo, esse efeito não é tão simples de ser alcançado.
O que ocorre é que em cadeias como a de Arapongas não existe qualquer viabilidade de recuperação dos presos. Em virtude do ambiente, o risco de rebeliões coloca em risco a população vizinha e o ciclo de cadeia lotada, seguida de fuga, continua.
Até por conta do município ter se tornado sede de Subdivisão Policial, além de ter uma população de mais de 115 mil habitantes, uma nova cadeia é prioridade na área de segurança. O projeto, que também se arrasta há anos, será discutido novamente amanhã, com apresentado do projeto reformulado na Secretaria de Segurança do Paraná (Sesp). Espera-se que um caminho comece a ser trilhado para, enfim, resolver esse problema.
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