A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, afirma que novas mudanças na vacinação contra a febre amarela, como a possibilidade de extensão da vacina para crianças, estão em análise e devem passar a valer em 2018.
O primeiro é uma ampliação na área de recomendação permanente para a vacina, locais onde a vacinação é indicada para a população e turistas que pretendem viajar para essas regiões. Hoje, essa área abrange 3.529 municípios.
Com o surto de febre amarela deste ano, porém, outros 177 municípios do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia passaram a ter recomendação temporária de vacinação.
Segundo Domingues, a expectativa é que esses municípios sejam incluídos na área de recomendação permanente. "Outras áreas também devem entrar, mas essa avaliação só conseguimos fazer ao final do surto", afirma. "Espera-se que até o fim de maio ou começo de junho esse surto seja interrompido. E aí vamos ter maior clareza", completa.
CRIANÇAS
Outra mudança em estudo, é a possibilidade de oferecer a vacina em todo o país para crianças a partir de 9 meses, com segunda dose aplicada aos 4 anos. Com isso, a proteção estaria garantida por toda a vida.
"Hoje, 3.500 municípios fazem vacinação da criança, aos 9 meses e 4 anos. Os outros 2 mil não fazem a vacinação de rotina no calendário. Qual a proposta do ministério? Fazer que em todo o Brasil, a vacina de febre amarela passe a fazer tanto da área de recomendação quanto sem recomendação", afirma.
Segundo Domingues, a decisão por incorporar a vacina para todas as crianças ainda depende, no entanto, de uma avaliação sobre o risco de efeitos adversos -que podem ocorrer caso a vacina for aplicada em pessoas a quem não é recomendada, como pessoas com o sistema imunológico comprometido.
"Falta ainda avaliar o risco-benefício, pois estenderíamos para uma área que hoje não tem casos, e que temos que colocar na balança. O benefício é que, a longo prazo, podemos ter toda a população vacinada", afirma. (FOLHAPRESS)