ABRAHAM SHAPIRO

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O Brasil está ótimo. Só falta avisar os brasileiros

Da Redação

| Edição de 10 de agosto de 2026 | Atualizado em 10 de agosto de 2026

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As notícias dizem que a inflação caiu, o emprego cresceu e os alimentos ficaram mais baratos. Pelos indicadores, o Brasil melhora. Na vida real, porém, muitas famílias não percebem essa melhora.

Inflação menor não significa preços menores. Significa apenas que eles sobem mais devagar. O número pode estar correto, mas a manchete cria uma impressão enganosa quando ignora o peso acumulado dos aumentos.

O comércio também sofre. Lojas físicas fecham em todo o País e o varejo eletrônico não vive num paraíso. Quem vende pela internet enfrenta impostos, transporte, devoluções, publicidade, concorrência e falta de capital.

O endividamento agrava o problema. Ter dívida não é necessariamente estar inadimplente, mas milhões de brasileiros atrasam pagamentos ou comprometem renda demais. Pior: cresce a ideia de contrair dívidas, não pagar e esperar um desconto. O calote retorna para todos em juros maiores, crédito limitado, preços altos e desconfiança.

As apostas eletrônicas aprofundam o buraco. O dinheiro que deveria financiar alimentação, lazer e comércio acaba em apostas, juros e renegociações. As canetas emagrecedoras também alteram hábitos de consumo, especialmente em restaurantes, embora preços elevados e perda de renda tenham grande influência.

Empresas cometeram outro erro: trataram o crescimento excepcional da pandemia como permanente. Cresceram sem prudência e agora pagam pela fantasia.

Há ainda o avanço do crime organizado em setores econômicos. Quando o Estado é fraco, corrupto ou ausente, grupos criminosos ocupam seu espaço. E o fazem de modo mais eficiente que o próprio Estado.

O Brasil não está necessariamente quebrando, mas exibe sinais preocupantes: dívidas, informalidade, descrédito institucional, comércio enfraquecido e ilegalidade normalizada.

A questão central é simples: não devemos negar os indicadores. Também não podemos usar “números verdadeiros” para fabricar uma realidade falsa. O Brasil das estatísticas pode melhorar; o das famílias ainda enfrenta tempos muito difíceis e aparentemente sem saída. E é nesse Brasil que a verdade precisa funcionar.