GUILHERME BOMBA

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No domingo, estará em jogo o futuro de quem cuidará do nosso futuro

Da Redação

| Edição de 09 de julho de 2026 | Atualizado em 09 de julho de 2026

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No próximo domingo, milhares de jovens ocuparão suas carteiras para disputar uma vaga no Vestibular de Inverno da UEM. Para muitos, será apenas mais uma prova. Para outros, um sonho construído ao longo de anos. Mas talvez estejamos olhando para esse momento pelo ângulo errado.

Vivemos uma época curiosa. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, tanta desconfiança em relação ao conhecimento. Tornou-se comum ouvir que faculdade “não serve para nada”, que diploma é apenas um pedaço de papel ou que estudar é perda de tempo. A inteligência passou a ser, em alguns ambientes, motivo de desconfiança; o especialista, frequentemente tratado como alguém distante da realidade.

Mas há uma pergunta que desmonta esse discurso com uma simplicidade desconcertante: se o conhecimento realmente não importa, por que ninguém escolhe ser operado por um médico que estudou pouco? Quem atravessaria uma ponte projetada por um engenheiro que decidiu improvisar? Quem colocaria um filho nas mãos de um professor que nunca se preparou para ensinar?

Curiosamente, aqueles que dizem que a universidade perdeu seu valor continuam esperando ser atendidos pelos melhores profissionais quando a vida realmente importa.

O vestibular, portanto, nunca foi apenas uma disputa por vagas. Ele é, antes de tudo, uma escolha coletiva sobre o tipo de sociedade que desejamos construir. Cada estudante que entra naquela sala leva consigo um sonho particular, mas também representa uma possibilidade pública. Entre aqueles candidatos estarão futuros médicos, enfermeiros, professores, historiadores, engenheiros, advogados, psicólogos, pesquisadores, agrônomos e tantos outros profissionais que, daqui a alguns anos, cuidarão de pessoas que hoje sequer conhecem.

Quando um jovem decide estudar seriamente, não transforma apenas o próprio futuro. Ele fortalece a capacidade de toda uma sociedade de produzir conhecimento, inovação, ciência, cultura e pensamento crítico. É assim que um país cresce: não apenas formando profissionais, mas formando cidadãos capazes de compreender problemas complexos e construir soluções responsáveis.

Talvez por isso seja tão preocupante a tentativa constante de diminuir o valor da educação superior. Não porque toda pessoa precise, necessariamente, fazer uma faculdade. Existem excelentes trajetórias profissionais construídas em diferentes caminhos. O problema começa quando estudar deixa de ser admirado e passa a ser ridicularizado; quando o esforço intelectual é tratado como ingenuidade e a ignorância passa a vestir as roupas da opinião.

Nenhuma sociedade se desenvolve desacreditando aqueles que dedicam anos da própria vida para aprender a cuidar, ensinar, pesquisar e construir.

Por isso, no próximo domingo, haverá muito mais do que cadernos de questões espalhados pelas salas da UEM. Haverá jovens escolhendo acreditar que o conhecimento ainda vale o esforço. Alguns serão aprovados. Outros precisarão recomeçar. E isso não diminui ninguém, porque o vestibular mede um momento da caminhada, jamais o valor de quem caminha.

Mas, enquanto as provas forem distribuídas, vale lembrar de algo que costuma passar despercebido: não será apenas o futuro daqueles estudantes que estará sendo escrito. Um pequeno pedaço do futuro de todos nós também entrará naquela sala.

Porque o mundo em que viveremos amanhã dependerá, em grande parte, daqueles que hoje ainda têm a coragem de sentar diante de uma prova e dizer, silenciosamente, que aprender continua sendo um ato de esperança.