Treze municípios da região somaram US$ 106,1 milhões em exportações no primeiro semestre deste ano. O montante representa um aumento de 12% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando 11 cidades registraram atividades no comércio exterior. Os dados são do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Com uma pauta exportadora formada por ao menos 60 itens, a região tem móveis, leveduras e tecidos de algodão como produtos principais. O maior volume de exportação concentra-se em Arapongas, que movimentou US$ 47 milhões, um crescimento de 19% ante o primeiro semestre do ano passado. Conforme o Comex Stat, os móveis correspondem a 73,6% do valor total. O município também comercializa carnes e miudezas, massas, soja, inseticidas, calçados e matérias têxteis. Os principais parceiros comerciais deste ano são Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia, Chile, Guatemala, África do Sul, Gana e Guiné.
São Pedro do Ivaí registra o segundo maior volume regional, com US$ 22 milhões em exportações e alta de 2% na mesma base de comparação. O principal destino das vendas do município são os Estados Unidos, que receberam 49% dos produtos. Na sequência, figuram Peru, Vietnã, Reino Unido, Chile, Colômbia, Bélgica, Equador e Bolívia. O principal item exportado são as leveduras, responsáveis por quase 60% das transações, seguidas por ração animal.
Apucarana atingiu US$ 12 milhões com o comércio exterior. A indústria química assumiu a liderança das exportações locais com a comercialização de ácidos gordos monocarboxílicos e fertilizantes que juntos correspondem a 35% do valor total. Na sequência aparecem os tecidos de algodão (22%) e peles e couros (9,7%). O Paraguai lidera as parcerias de negócios com o município no primeiro semestre, seguido por Holanda, Itália, Uruguai, Argentina, Equador, Bolívia, Croácia e Estados Unidos.
O maior aumento percentual foi de Mauá da Serra, que passou de US$ 819 mil para US$ 1,8 milhão, crescimento de 123%, enquanto Jandaia do Sul registrou a maior queda, passando de US$ 7,7 milhões para US$ 2,2 milhões, queda de 71% no comparativo. Dois municípios que não registraram movimentação no comércio internacional no ano passado fizeram negócios neste ano. Borrazópolis somou US$ 1,2 milhão com o comércio de sementes e frutos oleaginosos para a Índia e Faxinal atingiu US$ 12,3 mil com a venda de cereais e condimentos para os Estados Unidos.
Exportações do Paraná crescem 5,6%
As exportações paranaenses somaram US$ 11,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados do MDIC. O valor corresponde a uma alta de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas externas do Estado totalizaram cerca de US$ 11,3 bilhões.
Óleo de soja bruto, máquinas de terraplanagem e caminhões foram os produtos que mais se destacaram em termos de crescimento de um ano para o outro no acumulado de janeiro a junho de 2026, com variações de 73,3%, 52,2% e 35,4%, respectivamente.
O aumento expressivo das exportações do derivado da soja pode ser atribuído principalmente às vendas para a Índia, que contabilizaram alta de 78%, enquanto a ampliação dos negócios envolvendo as máquinas de terraplanagem é resultado, em grande medida, pelas exportações destinadas aos Estados Unidos e Canadá, com aumentos de 49% e 349%, respectivamente.
Impacto na economia regional
O crescimento de 12% nas exportações regionais injeta um dinheiro novo que estimula o consumo e a atividade industrial, avalia o economista Paulo Guilherme Alarcon Fernandes, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana. “É um recurso que vem de fora para dentro, consequentemente é um dinheiro que antes não existia, agora existe dentro da nossa economia. Aumenta a base monetária, além de pressionar os preços, também estimula a economia”, destaca.
Segundo o economista a crescente diversificação da pauta exportadora regional protege a economia contra crises internacionais em setores específicos, reduzindo o risco de queda acentuada na renda local. Ele também destaca que a venda de produtos industrializados potencializa os ganhos locais.
“Quando o produto é acabado, nós temos maior espaço para negociar preços e também agregar valor naquele bem, devido ao processo de transformação realizado nesse produto. Dentro dessa ótica, quando nós exportamos produtos industrializados, temos maior entrada de renda dentro do nosso território”, salienta.