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CNA pede aumento do biodiesel no diesel para conter alta de preços

(via Agência Brasil)

| Edição de 06 de março de 2026 | Atualizado em 06 de março de 2026

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal que a mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país seja aumentada de 15% para 17%. Segundo a entidade, essa medida poderia mitigar os impactos do aumento do petróleo, decorrente da intensificação do conflito no Oriente Médio.

O pedido foi formalizado em um ofício enviado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinado por João Martins da Silva, presidente da CNA.

Atualmente, o diesel comercializado no Brasil já possui uma porcentagem obrigatória de biodiesel — um combustível renovável produzido principalmente a partir de óleo de soja e outras matérias-primas vegetais. Esse percentual mínimo é estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e está atualmente fixado em 15%, prática conhecida como B15.

Com o aumento proposto pela CNA, a mistura passaria a ser B17, ou seja, 17% de biodiesel e 83% de diesel de origem fóssil. A definição do percentual de biodiesel no diesel é responsabilidade do CNPE, órgão que orienta a política energética do país.

O conselho tem uma reunião agendada para a próxima semana, onde o tema poderá ser discutido. Caso aprovado, o aumento da mistura passaria a valer para todo o diesel comercializado no Brasil.

Preocupações

De acordo com a entidade, a intensificação das tensões no Oriente Médio tem pressionado os preços internacionais do petróleo, o que tende a elevar o custo do diesel no Brasil. O barril do petróleo tipo Brent, utilizado nas negociações internacionais, atingiu US$ 84, acumulando uma alta de cerca de 20% desde o final de fevereiro.

Em uma carta ao governo, a CNA argumenta que conflitos internacionais costumam ter efeitos diretos nos preços dos combustíveis.

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Brasília - O presidente da CNA, João Martins, defende aumento de biodiesel na mistura com o diesel, diante da guerra no Oriente Médio  (Marcelo Camargo/Agência Brasil) - Marcelo Camargo/Agência Brasil

A entidade cita como exemplo o período anterior à invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando o petróleo subiu cerca de 40% no primeiro semestre, resultando em aumentos de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e de 23% na revenda.

Para a confederação, aumentar a participação do biodiesel no combustível pode ajudar a reduzir a dependência do petróleo importado e limitar pressões sobre os custos de transporte no país.

“Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, afirmou João Martins no documento enviado ao ministério.

Impacto no agronegócio

Atualmente, o preço do diesel é a principal preocupação do setor produtivo, especialmente durante o período de colheita da primeira safra e preparação do plantio da segunda safra.

Produtores relatam um aumento de até R$ 1 no preço do combustível nos postos. Com o aumento para 17% na mistura de biodiesel no diesel, a CNA avalia que os postos e as distribuidoras podem evitar repasses maiores aos consumidores e possíveis abusos de preços.

Matéria-prima

Do ponto de vista da produção, a CNA afirma que o Brasil tem condições de ampliar rapidamente o uso de biodiesel, pois a safra de soja, principal insumo do combustível, está em andamento e deve ser recorde neste ano.

Com grande disponibilidade de matéria-prima e preços da soja mais baixos em relação aos níveis registrados durante a pandemia de Covid-19, a entidade avalia que o biocombustível pode permanecer competitivo.

A CNA também lembrou que a mistura de 16% (B16) estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada.



Com informações da Agência Brasil