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Rafaela Silva ganha 1º ouro do Brasil no Rio de Janeiro

Folha Press

| Edição de 09 de agosto de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A judoca carioca Rafaela Silva, 24, conquistou o lugar mais alto do pódio ontem na categoria leve (até 57 kg). Ela venceu a mongol Sumiya Dorjsuren, número um do mundo, na final do judô. É o primeiro ouro do Brasil na Olimpíada do Rio. Assim como quando conquistou o Mundial no Rio, em 2013, ela se ajoelhou no tatame e comemorou. Pulou para a arquibancada e foi comemorar com a família e amigos que assistiam à luta na Arena Carioca 2.

Imagem ilustrativa da imagem Rafaela Silva ganha 1º ouro do Brasil no Rio de Janeiro

Rafaela aplicou um waza-ari pouco depois de um minuto de luta. A marcação do golpe exigiu a consulta ao vídeo por parte dos árbitros.
No decorrer da luta, a brasileira conseguiu se livrar de um golpe perigoso da mongol. Aos poucos, ela conseguiu fugir das tentativas de ataque da adversária. Rafaela supera assim uma derrota traumática em Londres-12, quando foi eliminada logo no começo da competição. Após a queda, ela discutiu com torcedores na internet. Alguns fizeram ofensas racistas contra a judoca e ela quase abandonou o judô.
Lágrimas e gritos de “é campeã” tomaram a sala do Instituto Reação, na Cidade de Deus, onde amigos e parentes da judoca Rafaela Silva assistiram à luta.
Eles chegaram a comemorar o ouro quando a atleta aplicou um wasa-ari e depois fizeram contagem regressiva nos últimos segundos da disputa. “Agora é só comemorar. A Rafaela mostrou para todo o mundo que é preciso acreditar nas pessoas. Acreditaram nela e hoje ela é medalha de ouro”, disse Cristiane Silva, 40, tia da atleta.
A conquista de Rafaela Silva foi celebrada principalmente nas ruas da Cidade de Deus, favela da zona oeste do Rio onde a atleta cresceu. Os moradores gritaram pelas ruas e soltaram fogos de artifício para celebrar o lugar mais alto do pódio.
A derrota na primeira luta em Londres-12 doeu. Mas foram ofensas racistas após o fracasso que quase tiraram Rafaela do judô. Após perder para a húngara Hedvig Karakas na primeira luta da competição, Rafaela buscou apoio na torcida pela internet. Encontrou ofensas raciais.
“Parece que é besteira para os outros, mas ela quase parou. Fez o maior esforço para representar o país. Quando vai entrar na internet para ver se tem algum apoio, só vê gente chamando de macaca. Ficou desanimada”, disse o pai da judoca, Luiz Carlos do Rosário Silva, 50.
Ela respondeu, discutiu com torcedores e acabou sendo advertida pelo Comitê Olímpico do Brasil, que também criticou as ofensas raciais. A Confederação Brasileira de Judô teve de fazer uma espécie de operação, com apoio de Bernardes e psicólogos, para recuperar a atleta.