A mãe do jovem Thiago Menezes Flausino, Priscila Menezes Gomes de Souza, prestou depoimento nesta terça-feira (10) durante o julgamento dos dois policiais militares acusados de assassinar o menino de 13 anos, em agosto de 2023, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Os policiais, em um carro descaracterizado, dispararam três tiros de fuzil contra Thiago, acertando duas vezes suas pernas. O garoto sonhava em ser jogador de futebol.
O julgamento teve início no final da manhã no Tribunal de Justiça e está na fase de ouvir as testemunhas de acusação. Não há previsão para a decisão final. Os PMs Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, do Batalhão de Choque, são acusados pela morte de Thiago.
Acusações
Os policiais enfrentam acusações de homicídio contra Thiago, que estava na garupa de uma moto na entrada da Cidade de Deus, e tentativa de homicídio contra Marcus Vinícius, o jovem que pilotava a moto e foi atingido na mão.
No momento do crime, a PM realizava uma operação com um carro particular não identificado. As investigações indicam que os jovens não estavam armados e não houve confronto durante a ação.
Os agentes também são acusados de fraude processual por plantarem uma arma na cena do crime, tentando incriminar a vítima e simular uma troca de tiros. Eles ainda alteraram depoimentos para afirmar que o carro da abordagem não era uma viatura oficial.
O Ministério Público alega que os policiais agiram com crueldade, em uma emboscada ilegal, utilizando armas de alta energia.
Durante mais de seis horas, foram ouvidos o sobrevivente, Marcos Vinícius, seu pai Wagner, e a mãe de Thiago, Priscila Menezes.
Luto
Em seu depoimento, a mãe reiterou que Thiago era um menino "educado, carinhoso, sorridente e feliz".
"Ele não dava trabalho, gostava de ir para a escola, se arrumava sozinho e adorava jogar futebol", relatou.
Thiago frequentava duas escolinhas de futebol na comunidade e era um aluno assíduo, com mais de 91% de frequência, apesar de notas baixas em português e matemática.
Priscila reconheceu o filho em várias fotos com amigos, treinando futebol, com a família e andando de moto. Em uma delas, ele aparece recebendo um prêmio escolar pelo "caderno mais organizado". "Não sei se ele ficou em primeiro ou segundo lugar, mas essa é a foto dele comemorando", explicou.
Imagens
Durante o depoimento, a mãe de Thiago expressou desconfiança sobre imagens apresentadas pela defesa dos policiais, encontradas no celular do jovem. Os advogados mostraram fotos de armas e adolescentes encapuzados, supostamente incluindo Thiago.
"Ali aparece o rosto dele, mas esse corpo está muito forte para ser o dele", afirmou.
Em outra imagem, uma mão segura uma arma, mas com uma tatuagem de coração. Priscila garantiu que Thiago não tinha tatuagens. Ela reconheceu o filho apenas em uma foto com um objeto que parecia uma arma longa, mas suspeitou que fosse um objeto para caçar ratos.
Marcos Vinícius, sobrevivente da ação policial, também afirmou que nunca viu Thiago armado.
Antes do início do júri, o pai do adolescente, Diogo Flausino, expressou a expectativa de condenação dos réus. "Esperamos Justiça. Eles têm que pagar", disse, durante um ato contra a violência policial em frente ao tribunal. Os agentes alegam legítima defesa.
Para convencer o júri, foram convocadas dez testemunhas, cinco de defesa e cinco de acusação. O julgamento, inicialmente previsto para o final de janeiro, foi adiado para esta terça-feira.
Justiça
Do lado de fora do júri, parentes e amigos de Thiago aguardavam ansiosos por um veredicto. Duas colegas de escola, de 15 e 14 anos, lembraram que ele era alegre e companheiro. "Era um menino muito legal, que brincava, sempre usando um pente no cabelo, vaidoso", disse uma delas. "Ele era incrível, sempre ia com a gente para rodízios de pizza, sempre parceiro, o primeiro a confirmar", acrescentou a outra amiga. "Ele era bom", frisou.
*Com colaboração da TV Brasil.
Com informações da Agência Brasil