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Centenas de pessoas em São Paulo pedem justiça pelo cão Orelha

(via Agência Brasil)

| Edição de 01 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 01 de fevereiro de 2026

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Manifestantes tomaram a Avenida Paulista neste domingo (1º) para exigir justiça no caso do cão vira-lata Orelha, torturado por adolescentes na Praia Brava, em Santa Catarina. O animal, que era cuidado por uma comunidade local, foi brutalmente agredido no dia 4 de janeiro e, devido à gravidade dos ferimentos, foi submetido à eutanásia no dia seguinte.

Os participantes do protesto, vestidos majoritariamente de preto, também usaram camisetas com a imagem do cão e frases como "Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!". Adesivos com mensagens semelhantes foram distribuídos entre o público, que incluía pessoas de todas as idades, algumas acompanhadas de seus animais de estimação.

O ato começou às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e se estendeu até as 13h, com palavras de ordem como "Não são crianças, são assassinos!" e "Não vai cair no esquecimento!". Placas pedindo a redução da maioridade penal também foram vistas.

A psicóloga Luana Ramos defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, uma pauta que voltou a ser discutida no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. A proposta se aplica a crimes violentos, como os hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

"Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer", afirmou Luana.

Ela criticou a tentativa dos pais dos adolescentes de minimizar a gravidade do ato, classificando-o como um "erro". "Erro não é isso. Erro dá para consertar. Isso não dá para consertar, não tem como voltar atrás. Foi assassinato, crueldade", acrescentou.

Imagem ilustrativa da imagem Centenas de pessoas em São Paulo pedem justiça pelo cão Orelha
Centenas de pessoas protestam em São Paulo pela morte do cão Orelha - Foto Letycia Bond/ Agência Brasil

Além disso, pais de dois dos adolescentes e um tio tentaram coagir testemunhas para que não depusessem. Os jovens são investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.

A advogada Carmen Aires levou seus dois cachorros adotados à Paulista, junto com a filha, para expressar indignação pela morte de Orelha, que teria sido a segunda vítima dos jovens catarinenses. A outra vítima é um cachorro que quase morreu afogado.

Para Carmen, adolescentes de 15 anos já deveriam responder criminalmente. Ela considera as penalidades para quem comete violência contra animais muito brandas. "São muito brandas, praticamente não existem. Não resolveram nada, tanto é que continuam acontecendo. A lei é recente, mas deve ser revista, porque atrocidades estão sendo feitas e a gente não aceita mais isso, ver o noticiário, as redes sociais", afirmou.

A instituição Ampara Animal disponibiliza em seu site diversos materiais para auxiliar na reeducação da sociedade. Um dos alertas é sobre a relação entre a violência contra animais e a praticada contra mulheres.

O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, que passeava pela capital paulista, aderiu à manifestação movido pelo sentimento de revolta e impunidade. Questionados sobre a possível ligação entre a cor dos jovens e o comportamento deles, responderam em uníssono: "Com certeza."

"A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. Acharam que estavam no direito deles. As filmagens são muito claras. Eles não fizeram como se fosse um crime, como se fosse alguma coisa errada. Não, eles fazem como se estivesse dentro do direito deles", disse o publicitário, criticando os familiares empenhados em abafar o caso. "Foi muito sádico o ato, chocante. Hoje foi um cachorro. E amanhã? Eles acham que as vidas pertencem a eles, que têm direito de tirar as vidas?"

"Tem muito a ver também com o que é prometido a eles. O branco, principalmente o homem branco, classe média, classe média alta. É prometido a eles um privilégio. Eles sabem que têm esse privilégio. Acham que o mundo é deles, que podem matar. Não só um cachorro, mas mulheres", completa a psicóloga. "Imagine as namoradas deles."

"A gente está vendo, por esse caso do Orelha, que é apenas a ponta do iceberg, mas que há maus-tratos todos os dias, a cada minuto e nada é feito. As organizações não governamentais (ONGs) é que, com muito sacrifício, com protetores independentes, conseguem minimizar o sofrimento desses animais."



Com informações da Agência Brasil