O Vale do Ivaí e municípios vizinhos atingiram a marca de 24,5 milhões de aves e 405,6 mil bovinos em 2025. Os números, divulgados nesta semana pela Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que crescimento da avicultura e redução do rebanho bovino na região.
Os dois maiores municípios da região são referência na avicultura. Arapongas lidera o ranking com cerca de 5,7 milhões de galináceos, sendo mais de 1,4 milhão de galinhas poedeiras, reforçando o título de maior produtor de ovos do Paraná. Na sequência, aparece Apucarana, que soma 3,5 milhões de aves e é o maior produtor de frango de corte do Vale do Ivaí, com faturamento estimado em R$ 334,5 milhões, segundo o Valor Bruto da Produção (VBP) referente a 2025.
Rosário do Ivaí se destaca com o maior rebanho bovino da região. Maior até mesmo que a população do município, que conta com 5,4 mil habitantes e cerca de 49,2 mil cabeças de gado. Conforme o VBP, no ano passado foram comercializados mais de 3 mil quilos de carne bovina, que movimentaram cerca de R$ 17 milhões na agropecuária local. Na sequência, aparecem Grandes Rios, com 38,5 mil cabeças de gado, e Faxinal, com 33,1 mil.
No ano passado, a região ganhou mais de 87 mil galináceos, um aumento de 0,36% no comparativo com 2024. Os rebanhos, por outro lado, tiveram queda de 7%, uma diferença de 32,4 mil. De acordo com o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), Adriano Nunomura, do Núcleo Regional de Apucarana, que abrange 13 municípios, a redução do rebanho bovino é reflexo dos preços registrados em 2024, quando o valor médio da arroba do boi ficou em R$ 249, e o da vaca, em R$ 220. Nunomura afirma que a desvalorização desestimulou os pecuaristas e elevou o abate de fêmeas. O cenário mudou em 2025, com alta na arroba do boi, tendência mantida atualmente em R$ 365 para o boi e em R$ 330 para a vaca.
“Em virtude dos baixos preços em 2024, houve um aumento no abate de animais, principalmente das fêmeas. Em 2025, com o aumento dos preços, os produtores queriam comprar bezerros e bezerras, mas, como muitas fêmeas haviam sido abatidas, não encontravam animais para repor os pastos, e essa redução na oferta ajudou no aumento dos preços”, explica.
Segundo ele, a valorização da carne bovina provocou mudanças no consumo regional e impactou a avicultura local. “Com o aumento dos preços da carne bovina nos mercados, a tendência é que o consumidor substitua a compra por outras proteínas, como frango, suínos e ovos, e isso contribuiu para um aumento da produção de galináceos, como foi observado nessa pesquisa”, pontua o técnico.