A popularização dos aplicativos de entrega faz disparar o número de motociclistas trabalhando com delivery em Apucarana. A atividade, que atrai profissionais em tempo integral e pessoas em busca de renda extra no período noturno, pode render mais que o emprego formal em determinadas categorias, mas esbarra em desafios diários, como o preconceito, a infraestrutura das vias e os altos custos de manutenção dos veículos.
Para organizar o setor, foi criada há cerca de três anos a Associação dos Motoboys de Apucarana e Região (Adma), que hoje conta com 127 membros associados. O presidente da entidade, Daniel Braz, de 41 anos, conhecido como Gordão, estima que o número total de trabalhadores na cidade seja bem maior, impulsionado pelas novas tecnologias e pela disputa de mercado dos aplicativos. “Eu não sei te precisar bem, mas eu estou trabalhando para um pessoal aí e a gente estava fazendo um cadastro desse novo aplicativo que chegou na cidade. Pelo que eu vi ali, tem mais de 300 e poucas pessoas nesse cadastro”, revela.
Gordão explica que os motoboys costumam se concentrar em pontos estratégicos de Apucarana aguardando os chamados para otimizar o tempo. “A gente está aqui na Praça do Redondo, do lado do ponto de táxi. Esse ponto aqui para acho que umas 100 pessoas ao longo do dia. Sem contar nos outros lugares da cidade, que é no caso do Yellowstone. A gente fica mais focado onde sai mais demandas”, detalha o presidente.
Embora o faturamento bruto possa chegar a R$ 5 mil em meses de grande movimento, a liderança da Adma ressalta que os custos operacionais da profissão são pesados. “A gente gasta muito pneu e relação, que dependendo do que você corre, de três em três meses tem que trocar. Óleo mesmo é no máximo uma semana. Sem contar uma hora que você sai, fura um pneu, que estraga a moto, que você tem que pagar guincho e tudo isso mais”, pontua Braz.
A categoria luta por mais segurança e respeito por parte da sociedade. Braz relata que os profissionais ainda sofrem com a marginalização. “Muitas vezes a gente, motoboy, é visto com maus olhos. Porque muitas vezes tem aquele cara que usa da moto para estar praticando crimes, entorpecentes ou assaltando. O primeiro passo que a gente deu foi criar essa associação e vir separar o joio do trigo “, desabafa.