Um temporal registrado no início da tarde desta sexta-feira (20) provocou estragos em várias regiões e Arapongas e mobilizou equipes da Defesa Civil e da Prefeitura para o atendimento de diversas ocorrências, que vão desde alagamentos até danos estruturais na malha viária. Segundo balanço preliminar, o temporal causou a queda de árvores, postes, fios de alta tensão e muros, atingindo tanto o perímetro urbano quanto a zona rural.
Apesar dos estragos materiais, não houve registro de vítimas. “A Defesa Civil está focada na questão das casas atingidas, muros caídos e queda de postes e fios de alta tensão. Já o pessoal da prefeitura está focado em retirar as árvores e desobstruir as vias para poder voltar à normalidade”, afirmou Paulo Kümmel, coordenador da Defesa Civil de Arapongas.
O grande volume de água resultou em uma interdição de trânsito. A Guarda Municipal bloqueou o acesso em um trecho ao lado do Parque das Nações devido a danos no pavimento anteriores agravados pelo temporal. “Na área urbana há uma interdição até o momento, do lado do Parque das Nações, porque o asfalto cedeu”, explicou Kümmel.
De acordo com a estimativa da Defesa Civil, foram registradas a queda de mais de dez árvores, dois muros e 10 pontos de alagamento. Nas redes sociais, moradores relataram carros sendo arrastados pela água em vários pontos da cidade;
A orientação para os moradores que sofreram danos ou enfrentam problemas decorrentes do temporal é buscar os canais oficiais. O contato pode ser feito pelo telefone de emergência 199 ou pelo WhatsApp (43) 9 9180-0447.
Na casa da diarista Fabiana Lopes, residente na região do Parque das Nações, a enxurrada invadiu completamente a casa. Dois cachorros da raça bulldog francês chegaram a ser arrastados pela água. O marido de Fabiana conseguiu evitar que outros dois cães fossem levados pela correnteza.
No momento do temporal, Fabiana e o esposo, que trabalha com vendas, precisaram colocar os filhos de 7 e 12 anos sobre o sofá para evitar o contato com a lama. O casal tentou conter a entrada da enxurrada segurando a porta da cozinha e abrindo as outras portas da casa, no intuito de dar vazão ao fluxo, mas o volume pluvial superou a capacidade de escoamento. “Bens materiais a gente recupera, mas o susto das crianças, o desespero. Foi tudo muito rápido”, afirma Fabiana.
Clima de tempestades
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) já havia previsto a incidência de tempestades. Nesta sexta-feira, as regiões mais atingidas são os Campos Gerais e o Norte.
Em Maringá foram registradas 27,4 mm de chuva, sendo 12,8 mm em apenas 15 minutos, às 13h15. Arapongas não tem estação, mas em Apucarana foram 12,6 mm de chuva. Para se ter uma ideia, o limiar definido pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil aponta que volumes de chuva entre 3,6 mm e 11,4 mm em 15 minutos são considerados moderados; entre 11,4 mm e 20 mm em 15 minutos são considerados fortes.
Segundo o Simepar, presença de um sistema de baixa pressão atuando entre o Paraguai, o Norte da Argentina e o Sul do Brasil é o que tem favorecido a formação de áreas e linhas de instabilidade no Paraná. O forte aquecimento na faixa norte do Estado contribuiu para que as tempestades fossem mais fortes.