Deflagrada ontem em Arapongas, a operação Heisenberg prendeu 13 pessoas após mobilizar 80 policiais civis e militares no cumprimento de 33 mandados de prisão e busca e apreensão em vários endereços da cidade e nos municípios de Primeiro de Maio e Londrina. Durante a ação, um suspeito morreu e outro ficou ferido em dois confrontos. O alvo da operação é um grupo de traficantes que mantinha ligação com um laboratório de produção de haxixe gourmet no Mato Grosso do Sul.
A operação resultou na apreensão de drogas, armas de fogo e um Volkswagen Jetta blindado de alto valor.
De acordo com o delegado titular e operacional da 22ª Subdivisão Policial (SDP) de Arapongas, Saulo Baptista Neto, o líder da organização criminosa foi preso durante a operação. O laboratório investigado fica em uma região próxima à fronteira com o Paraguai, mas o endereço exato ainda não foi identificado.
“Esse laboratório, a gente acredita que ainda está em funcionamento. Inclusive, no celular dele, é possível observar ele passando instruções para outras pessoas do grupo criminoso, com uma receita, como se fosse uma receita de bolo, da forma como tem que ser fabricado esse entorpecente”, afirmou o delegado.
Segundo Saulo, a droga conhecida como dry é uma forma de haxixe com maior concentração de substâncias psicoativas, comercializada como um produto de alto valor. Conforme a investigação, a distribuição não se restringia a Arapongas, alcançando também outras cidades da região e o Mato Grosso do Sul.
A Operação Heisenberg é um desdobramento de uma investigação iniciada no ano passado, durante a Operação Dínamo. Na ocasião, um fuzil foi encontrado enterrado em uma residência de Arapongas, e um celular foi apreendido.
A análise do aparelho permitiu identificar a ligação entre o proprietário do fuzil e o grupo criminoso investigado agora. Segundo o delegado, o homem apontado como líder da organização também é proprietário do Volkswagen Jetta blindado apreendido ontem.
O delegado acrescentou que conversas encontradas no aparelho também indicaram a comercialização de armas pelo grupo. Conforme a investigação, o líder organizava a chegada do entorpecente e sua distribuição em Arapongas. Outros integrantes eram responsáveis por repassar a droga a pontos de venda.
SUSPEITO É MORTO EM CONFRONTO
Durante o cumprimento dos mandados, houve dois confrontos com equipes da Polícia Militar em Arapongas. Um dos suspeitos morreu no Jardim Ulisses Guimarães, enquanto o outro ficou ferido e foi encaminhado ao hospital para receber atendimento médico.
No endereço no Jardim Ulisses Guimarães, o suspeito estava com a mãe e ameaçou policiais. No endereço onde o suspeito morreu, as equipes também encontraram drogas durante as buscas, com o auxílio de cães farejadores.
O segundo confronto foi registrado na Rua Graveteiro, na região do Jardim São Bento. Nesse local, outro suspeito foi ferido e atendido pelo Samu. O segundo suspeito seria irmão do proprietário do Jetta.
INVESTIGAÇÕES CONTINUAM
Apesar das prisões, a Polícia Civil pretende aprofundar a apuração para identificar outros envolvidos e localizar o laboratório de produção de haxixe no Mato Grosso do Sul.
“Celulares foram apreendidos, materiais arrecadados e, a partir de agora, a gente vai recomeçar a investigação. Nosso maior objetivo é chegar nesse laboratório e desmantelar”, afirmou o delegado Saulo.
Todos materiais, celulares e drogas foram encaminhados para Delegacia de Arapongas. Participaram da operação, policiais de Arapongas e Rolândia e do Choque de Londrina.