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Violência contra a mulher soma 6 mil casos em um ano na região

Cindy Santos

| Edição de 02 de março de 2026 | Atualizado em 02 de março de 2026

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Por dia, ao menos 16 casos de violência contra a mulher são registrados na região de Apucarana, que enfrenta um aumento no número de feminicídios. No ano passado, foram 6,1 mil registros de violência computados na área da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, que atende 26 municípios do Vale do Ivaí. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) e mostram queda sutil no comparativo com 2024, que registrou 6,4 mil casos.

Contudo, os feminicídios seguem em alta, com quatro assassinatos de mulheres e oito tentativas no ano passado. No ano anterior, a região não registrou feminicídio e teve duas tentativas, conforme informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Dados do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana também indicam aumento no número de medidas protetivas acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha que cresceu de 293 para 690 no comparativo, uma alta de 135%. E neste ano já são aproximadamente 150 medidas acompanhadas pela corporação, sem contar os casos acompanhados pela Guarda Civil Municipal (GCM).

Entre as vítimas de violência está Sayonara da Silva, 38 anos, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio ocorrida no mês passado em Apucarana. Estudante de Administração na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Sayonara não pôde participar de sua colação de grau, realizada na última sexta-feira (27/02), pois o homem investigado por tentar matá-la continua foragido. Ela emocionou o público ao enviar uma carta aberta explicando sua ausência. No texto, a graduanda destacou que o diploma é um símbolo de resistência e uma prova de que o investigado não venceu, apesar dos traumas e da necessidade de se manter escondida. Ela criticou o sistema, pontuando a inversão de papéis em que a vítima se priva de conquistas enquanto o suspeito circula sem restrições.

“Viver a minha formatura à distância foi uma experiência profundamente ambígua. De um lado, havia a alegria legítima por ter concluído uma etapa tão importante da minha vida acadêmica. Mas, do outro lado, havia o vazio de não estar presente, de não vestir a beca, de não atravessar o palco, de não dividir o momento com colegas, familiares e professores”.

No dia do atentado, em 10 de fevereiro, Sayonara estava com o filho de 9 anos quando seu ex-companheiro, Ademar Augusto Crepe, jogou uma caminhonete F-350 contra o veículo deles. O homem ainda tentou atirar contra a vítima, que fugiu com a criança. Segundo ela, a rotina da criança foi profundamente alterada pelo medo constante. “Ele deixou de ir à escola com regularidade e vive em estado de alerta. Acorda assustado, tem crises de ansiedade e dificuldade para relaxar”, descreveu.

A polícia realiza diligências e divulgou fotos de Ademar para auxiliar na localização. Informações podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 197, 181 ou (43) 3423-0972.