A greve dos caminhoneiros terminou há dez dias, mas as polêmicas estão longe de acabar. Depois da discussão em relação ao diesel, a questão da tabela nacional de fretes está gerando um grande impasse. O setor produtivo critica os valores, enquanto os caminhoneiros ameaçam com nova paralisação caso esse acordo seja revogado. Enquanto isso, o governo federal, mais uma vez, mostra total incapacidade de administrar essa nova crise.
A criação de uma tabela de preços mínimos para o frete foi uma das medidas adotadas pelo governo federal para acabar com a greve, juntamente com a redução de R$ 0,46 por litro do diesel.
A resolução com a nova tabela de fretes foi publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no último dia 30. A tabela base é dividida por tipo de carga (granel sólido, granel líquido, refrigerado, produtos perigosos e carga geral) e por distância. A cada 100 quilômetros, o valor mínimo a ser pago pelo frete é alterado. O reajuste, em média, é de 40%. No entanto, há situações em que o aumento do frete chega a 100%.
Várias entidades empresariais criticaram o modelo adotado para acabar com os protestos. A crítica mais contundente partiu da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que representa as associações e federações estaduais de indústria. A entidade informou que avalia possíveis medidas judiciais e administrativas contra as normas que estabeleceram valor mínimo de transporte de carga para o Brasil. A CNI alerta para os prejuízos que a medida vai causar à economia e à população, incluindo o encarecimento de preços de alimentos. A confederação cita como exemplo o arroz, cujo os custos com transporte pelas rodovias do país deverão aumentar de 35% a 50% no mercado interno e de 100% para exportações.
Nesta semana, dois ministros adotaram discursos diferentes. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que a tabela de fretes não mudaria, mas que apenas algumas distorções seriam corrigidas. Já o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendeu alteração do formato.
Essa falta de sintonia preocupa. O governo federal precisa buscar uma solução para mais esse impasse rapidamente. É inaceitável que se cometa o mesmo erro. Na outra oportunidade, o Palácio do Planalto não avaliou o assunto com a seriedade necessária e o que se viu foi o caos com a paralisação dos transportes no país. É preciso buscar soluções que atendam a categoria e os empresários. É preciso mais habilidade e capacidade para contornar essas crises.