A aprovação do pedido de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara aliviou o empresariado, que não vê saída para a crise com a presidente no poder. A dúvida agora é se o vice Michel Temer, que poderá assumir o cargo, será mesmo capaz de levar adiante as mudanças para a retomada da economia.
Os empresários acham que o novo governo terá de acabar com a obrigatoriedade dos gastos fixos em saúde e educação, fazer reformas da Previdência e das leis trabalhistas, e talvez seja preciso recriar a CPMF.
“O DNA do PMDB não é liberal. Duvido que o programa econômico de Temer reflita o DNA do partido”, diz o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. “A maioria [do partido] tenderá a ser contra parte ou a totalidade do programa.”
As reformas vistas como necessárias envolvem medidas impopulares, que precisam ser aprovadas no Congresso. E boa parte delas enfrenta resistência entre os próprios aliados de Temer. Um exemplo disso está nas providências para consertar as contas públicas. A presidente Dilma tentou recriar a CPMF para recuperar arrecadação de impostos, mas não teve apoio do Congresso.
Um dos opositores mais ferrenhos da iniciativa foi o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afilhado político de Temer. Essa é uma das bandeiras dos empresários. Só que, para o economista Mansueto Almeida, será difícil que Temer escape da elevação de impostos. “É preciso um aumento permanente de receita que faça frente a um aumento permanente de despesas, que só neste ano aumentará R$ 96 bilhões.”