POLÍTICA

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Estado tem 21 candidaturas para mandato coletivo de deputado

Claudemir hauptmann

| Edição de 02 de setembro de 2022 | Atualizado em 02 de setembro de 2022
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As eleições de 2022, no Paraná, trazem alguns fatos bastante curiosos. Um deles, as candidaturas coletivas para deputado federal e a estadual. São 21 candidatos para mandatos coletivos, sendo 12 para a Assembleia Legislativa do Estado e 9 de deputados federais. O Paraná tem 631 candidaturas a deputado federal e 894 candidaturas a deputado estadual. 

Mas, afinal, o que são os mandatos coletivos?

Mandatos coletivos são um arranjo informal que vem se consolidando na cena política brasileira há pelo menos 4 ou 5 processos eleitorais, desde 2016. Basicamente, é um mandato compartilhado com um time, de forma horizontal, uma vez que não há uma hierarquia nesse grupo. Ou seja, cada membro do grupo tem espaço igual no mandato para participar dos debates e construir resoluções. Quando o candidato eleito se posiciona durante o mandato, ele o faz sempre a partir de consenso com esse grupo de pessoas, que são chamadas co-parlamentares.

Oficialmente, Apucarana tem cinco candidatos a deputado federal, quando se considera a lista de candidaturas tradicionais, ou seja, os candidatos individuais. A cidade ainda tem mais quatro candidatos a deputado estadual. Mas a cidade tem, informalmente, outras duas candidaturas locais à Câmara Federal, com duas mulheres que integram o coletivo “Casa das 13 Mulheres”, cuja candidata registrada é a antropóloga Jacqueline Parmigiani, da região Oeste do Estado. Nesse coletivo, com mulheres de nove cidades, estão Maria Luiza Domingues, a Malu Domingues, e Maria de Fátima de Souza e Silva, ambas com histórico de militância e de docentes aposentadas. A candidatura é pela federação PT/PCdoB/PV.

A “Casa das 13 Mulheres”, conforme explica o perfil do coletivo nas redes sociais utilizadas na campanha, é um projeto que surgiu para fortalecer mulheres que saíram fragilizadas de processos eleitorais e que, sozinhas, não seriam candidatas novamente. “Decidimos nos juntar como uma forma de enfrentar as violências e apagamentos que somos submetidas nesses momentos”, justificam as mulheres. Jacqueline Parmigiani, por exemplo, foi candidata não eleita para a prefeitura de Toledo, em 2016; ao Senado, em 2018 e, para esse ano, caso não fosse num mandato coletivo, não seria candidata mais.


Apucaranenses participam do novo processo 

Uma das 13 mulheres do coletivo é a professora Maria Luiza Domingues, a Malu, professora aposentada da UTFPR e que foi candidata a prefeita em Apucarana em 2020.

Malu Domingues lembra que todas as mulheres do coletivo tiveram experiências de candidaturas, além de um histórico de militância em causas sociais, seja o feminismo, sindicalismo, questões indígenas e da comunidade LGBTQIA+. “No meu caso, sempre atuei no sindicalismo”, diz Malu, a mais experiente do grupo, com 74 anos. “A gente não tem nome político, dinheiro ou mesmo grandes grupos em apoio. O que temos é nossa força de luta e desejo de mudança”, diz Malu.

Para ela, a construção de mandatos coletivos é importante e um caminho sem volta para o país. “Isso vem acontecendo. Vai acontecer, como forma de democratizar o poder, hoje, tradicionalmente, muito centralizado nos gabinetes e entre homens”, afirma Malu, que tem como pauta as políticas públicas para idosos, para o envelhecimento com qualidade de vida.