O clima é de apreensão no Palácio do Planalto em relação ao PMDB. Na próxima terça-feira, o partido do vice Michel Temer deve sacramentar a sua saída do governo de Dilma Rousseff, durante reunião do diretório nacional, em Brasília. O encontro dos peemedebistas está sendo sendo chamado de o “Dia D” por governistas. A avaliação é que os demais partidos da base, puxados pelo PP, tomarão decisão semelhante em seguida.
A preocupação ganhou corpo com a decisão do PMDB do Rio de Janeiro, que anunciou na quinta-feira posição favorável a saída do governo da presidente Dilma. Principal eixo de sustentação da petista, a debandada da ala fluminense do partido praticamente sela o desembarque do PMDB do governo. Uma fonte próxima a Dilma avalia ainda que, com a saída do PMDB, fica muito mais difícil vencer a guerra contra o impeachment, inclusive porque o anúncio pode fazer outros partidos seguirem o mesmo caminho.
“É gravíssimo, um sinal muito ruim. Fortalece enormemente o movimento de terça-feira. O PMDB do Rio era o principal eixo de sustentação do governo dentro do partido, não tinha ala mais governista no partido do que a fluminense. Vai nos exigir um esforço imenso de negociar deputado por deputado a manutenção da aliança. Desarma muito o governo”, avalia um integrante do governo.
Assim que foi oficializada a posição do PMDB fluminense, tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula ligaram para o ex-governador Sérgio Cabral, um dos principais caciques do partido no Estado, para pedir ajuda para estancar a sangria. Segundo relatos de peemedebistas, Lula estava “desesperado” e a conversa foi “fria” e “para falar o óbvio”. Cabral, que liderou a tomada de posição do partido ao lado de Jorge Picciani, presidente do PMDB no Estado do Rio, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, avisou aos petistas que nada poderia fazer para ajudar, pois já é tarde demais. O PMDB do Rio avalia que não tem nada mais a ganhar com o acúmulo de desgaste de defender o governo, enfrentado principalmente pelo líder do partido na Câmara, o deputado Leonardo Picciani, eleito com auxílio do Palácio do Planalto.
O presidente do PMDB do Rio de Janeiro, deputado estadual Jorge Picciani, disse que a decisão de votar pela saída do partido do governo na próxima terça-feira será uma resposta ao aumento das mobilizações nas ruas e uma reação às novas denúncias contra a gestão petista.
Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff não tem mais poder de construir em torno de si um consenso mínimo. "É preciso que, no regime presidencialista, tenhamos a possibilidade de sair de dissensos para consensos mínimos e, infelizmente, ela [Dilma] não conseguiu construir essa possibilidade", afirmou Picciani.