De acordo com a primeira estimativa da safra 2016 de café, o Brasil deve atingir a segunda maior produção da história, ficando atrás apenas de 2012. Antes termômetro do setor cafeeiro no Brasil, o norte paranaense atualmente segue na contramão. A safra estimada para a região de Apucarana é menor do que a do ano passado, muito por conta da drástica redução da área plantada desde 2013.
De acordo com dados divulgados nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deverá ficar entre 49 e 52 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado. Esta pode ser a segunda maior safra da história, ficando atrás apenas da safra de 2012, que foi de 50,8 mi. A previsão indica um acréscimo de 13,6% a 20,1% em relação à produção de 43,24 milhões de sacas obtidas em 2015.
No entanto, na região, a situação é inversa. A expectativa de produção em 2016 é de 4,6 mil toneladas para o Núcleo Regional da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) de Apucarana. O valor é 13% menor do que as 5,3 mil toneladas colhidas em 2015. A área plantada deverá ser a mesma: cerca de 3,2 mil hectares.
No Núcleo Regional de Ivaiporã, a queda deve ser ainda maior. Também com a mesma área plantada (3,6 mil hectares tanto em 2015 quanto em 2016), a produção deverá cair 27%, indo das 5,4 mil toneladas do ano passado para uma estimativa de 4 mil toneladas neste ano.
De acordo com a Conab, a cultura do café é bienal, ou seja, a planta obtém melhores rendimentos em anos alternados, com uma safra menor entre eles. Enquanto que, no restante do Brasil, o ano é de alta bienalidade, na região este é um ano de baixa, muito por conta da forte geada que erradicou milhões de pés de café em 2013.
“Muitos agricultores abandonaram o café naquele ano. O cultivo já vinha com preços ruins, o que contribuiu para o abandono. De 2013 para cá, a área plantada caiu de 9 mil hectares para 3,9 mil, aproximadamente. A maioria passou para a lavoura de soja, que vem apresentando um bom preço”, afirma Paulo Franzini, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral).
Segundo ele, quem ainda manteve a cultura precisa investir em tecnologia. “É preciso tecnificar as lavouras para obter mais produtividade e melhor lucratividade. A saca hoje está custando entre R$ 390 e R$ 440. Com a mecanização, o custo de produção médio fica entre R$ 300 e R$ 350, oferecendo um lucro bom para o produtor. Sem mecanização, os custos de produção e de venda ficam praticamente equivalentes”, diz.
O agricultor Valdir Roquette, cuja plantação não é mecanizada, confirma que a produção neste ano não deverá ser maior do que a do ano passado. “Deve ficar em cerca de 40% abaixo do ano passado. O preço não é dos melhores atualmente. Se subir um pouco, aí sim pode se tornar vantajoso”, diz.
A colheita do café deve ser iniciada no final de maio, seguindo até agosto.