O retorno dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ao trabalho fez com que as agências da Previdência Social na região ficassem lotadas. Apesar do grande movimento, os atendimentos ocorreram normalmente, sem que fosse registrada nenhuma situação adversa. Os peritos continuam em estado de greve e podem paralisar as atividades novamente a qualquer momento.
De acordo com o gerente da agência de Apucarana, Nelson Oscar, o atendimento ocorreu normalmente. “Está sendo tudo tranquilo, apesar do grande volume de trabalho. Mas não houve nenhum tipo de problema”, aponta ele.
Perito e delegado da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP), Cláudio Roberto Dias explica que as perícias iniciais, ou seja, daquelas pessoas que ainda não estão recebendo o benefício, estão sendo tratadas como prioridade. “O retorno ao trabalho foi tranquilo. Mas a luta não foi finalizada. Ainda queremos sentar e conversar com o governo para resolvermos a situação. Estamos em estado de greve e, em tese, podemos retomar a paralisação a qualquer momento, mas não acredito que isso vá acontecer”, salienta.
Em nota, a ANMP afirma esperar que “com essa atitude de distensionamento, o governo saia da trincheira em que se colocou e volte a negociar com a categoria".
A greve (a mais longa da categoria) foi iniciada no dia 4 de setembro do ano passado. Mais de 2 milhões de perícias deixaram de ser feitas desde então, segundo a associação que representa os trabalhadores. O INSS fala em 1,3 milhão. Na região, o número passou dos 10 mil.
O jardineiro Valdemir de Moraes espera desde o início da greve por uma perícia. “Quebrei o fêmur andando de cavalo e não pude trabalhar desde então. Espero que, agora com o fim da greve, minha situação melhore”, conta.
Na espera desde agosto, o pedreiro José Cirino também torce para que não haja mais greve. “Já marquei quatro vezes a perícia e agora finalmente ela será feita. Não posso carregar peso e, por isso, deixei de trabalhar. O benefício é fundamental para mim”, afirma.
Os médicos reivindicam, entre outros benefícios, aumento salarial de 27,5% e redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.