CIDADES

min de leitura - #

Sucessão rural é desafio no Vale do Ivaí

Ivan Maldonado

| Edição de 03 de julho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O Brasil tem, segundo o IBGE, cerca de 8 milhões de jovens vivendo em áreas rurais, cuja participação nos processos de trabalho e produção agrícola é significativa para a produção de alimentos. Manter os jovens no campo, em detrimento das condições de vida das cidades é um dos desafios da agricultura. No Vale do Ivaí, esta realidade não é diferente e por isso, é um dos temas que mais preocupa o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã.

Imagem ilustrativa da imagem Sucessão rural é desafio no Vale do Ivaí

Segundo o presidente do sindicato, Donizete Pires, até existem algumas políticas públicas do governo Federal que favorecem a juventude. Porém, necessitam de mais divulgação e melhorias para que mais jovens possam acessá-las.

“Infelizmente, possuem pouco acesso, elas precisam ser reestruturadas para os jovens tenham condições de acessá-las. Nós precisamos de políticas que garantam qualidade de vida e que nossos jovens possam viver na roça em situação melhores que viveram os seus pais. Senão no futuro teremos um colapso para alimentar o povo que vive na cidade, pois quem produz a cesta básica é o agricultor familiar”, destaca Pires. Ele destaca que o sindicato tem divulgado as linhas de crédito fundiário criadas para incentivar a manutenção dos jovens no campo. “Contudo, é preciso mais profissionalização, mais cursos”, comenta.

Filho de trabalhadores rurais, Marcelo dos Santos Mendes, 20 anos trabalhava com a família até se formar no ensino médio. Porém, por falta de opções mudou-se para Ivaiporã e hoje trabalha em uma marcenaria. “Como o sítio era pequeno, não via muita opção para crescer. A gente até produzia, mas vinha uma geada ou uma seca e se perdia tudo, isso foi desanimando. No início, a vida aqui na cidade foi bem mais difícil que na roça, mas hoje mais adaptado não sei se voltaria a morar lá”, relata Mendes.

Já o jovem Daniel Trizoti, 24 anos tentou morar na cidade e durante quatro meses residiu na capital paulista. “Para gente é da roça, aquilo não é vida não. Aqui tenho contato com a natureza, a vida é muito mais tranquila. Lá a vida é agitada e muitas vezes ouvia tiros, isso não é para mim não”, destaca Trizoti.

Após o retorno, para o distrito de Jacutinga, Daniel entrou em no programa de Crédito Fundiário através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã e conseguiu comprar quase 1,5 alqueire na localidade de Três Ranchinhos. “Quando as pessoas mudam para cidade grande, se tiver oportunidades, elas com certeza voltam. Graças a Deus, eu tive”, comemora Daniel.

O técnico em agropecuária, Paulo de Tarso de Oliveira Gerard, 23 anos, embora tenha nascido e vivido na cidade, também prefere a vida no campo. “Tenho meu tio que sempre morou no sítio e em qualquer oportunidade lá estava eu, ajudando e aprendendo. Trabalhar com a agricultura e ficar em contato com a terra sempre foi o meu sonho. Tanto é que fiz curso na área e hoje estou arrendando uma propriedade. No meu ponto de vista, não existe vida melhor que da roça”, assinala Gerard. Atualmente ele presta serviços na Prefeitura de Ivaiporã.