Há quatro dias sem teto e com acesso irregular a comida, água potável e medicamentos, sobreviventes do terremoto que sacudiu o Haiti no último sábado, 14, começam a perder a paciência com o governo, que não consegue dar resposta a milhares de pessoas que perderam suas casas.
Entre a noite de terça, 17, e a madrugada de quarta-feira, 18, a tempestade tropical atrapalhava os esforços do governo para resgatar dezenas de milhares de pessoas. As fortes chuvas da terça-feira também prejudicaram os abrigos temporários montados desde o fim de semana, encharcando mesmo quem conseguiu algum tipo de teto - alguns dormiam ao ar livre.
As autoridades aumentaram o número de mortos para 1.941, na terça-feira, 17, embora esse número deva aumentar. Em L’Asile, no sudoeste do país, um hospital em um trecho remoto da zona rural da área ainda recebe pacientes com ferimentos do dia do terremoto, vindas de vilas isoladas.
De acordo com o diretor do hospital, Sonel Fevry, o acesso rodoviário às instalações no departamento de Nippes é difícil e nem todos conseguem chegar. A pobreza opressora, estradas ruins e crença em formas de medicina natural conspiram para piorar os problemas, segundo ele.
“Nós fazemos o que podemos, removemos o tecido necrosado e damos antibióticos a eles e tentamos conseguir uma tala”, disse Fevry. A Agência de Proteção Civil do Haiti aumentou o número de feridos para 9.900, muitos dos quais tiveram que esperar por ajuda médica deitados do lado de fora de unidades de saúde.
A Unicef estima que o terremoto afetou cerca de 1,2 milhão de pessoas, incluindo 540 mil crianças. Escolas, pontes e instalações médicas desabaram. O representante da organização no Haiti, Bruno Maes, compartilhou um vídeo da cena, dizendo que “inúmeras famílias haitianas que perderam tudo devido ao terremoto estão agora vivendo literalmente com os pés na água devido às enchentes”. (ESTADÃO CONTEÚDO)