BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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A saudade iluminada pela esperança

Da Redação

| Edição de 28 de outubro de 2026 | Atualizado em 28 de outubro de 2026

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No próximo dia 2 de novembro, a Igreja celebra a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, tradicionalmente conhecida como Dia de Finados. É uma ocasião especial para recordar, com amor e gratidão, aqueles que fizeram parte de nossa história e já partiram desta vida. A saudade de familiares, amigos e pessoas queridas nos recorda a profundidade dos vínculos que construímos ao longo de nossa existência. Para nós, cristãos, porém, esta data não é apenas um dia de lembranças e tristeza, mas também uma oportunidade de renovar nossa fé na Ressurreição e na promessa da vida eterna.

Diante da morte, experimentamos uma das realidades mais profundas e difíceis da condição humana. A ausência daqueles que amamos deixa marcas que o tempo nem sempre consegue apagar. O próprio Jesus, diante da morte de seu amigo Lázaro, chorou (cf. Jo 11,35), mostrando-nos que a fé não elimina a dor da separação. Entretanto, foi também Jesus quem afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25). Essas palavras constituem o fundamento de nossa esperança: a morte não possui a última palavra sobre a existência humana, porque Cristo, por sua Ressurreição, abriu-nos as portas da vida eterna. Por isso, a Igreja nos convida a rezar pelos fiéis defuntos, confiando-os à infinita misericórdia de Deus.

A oração pelos falecidos é uma expressão de amor que ultrapassa os limites da existência terrena e manifesta nossa fé na comunhão dos santos. Quando participamos da Santa Missa, visitamos os cemitérios ou elevamos uma prece por aqueles que partiram, testemunhamos que os laços construídos no amor não são simplesmente apagados pela morte. A esperança cristã nos ensina que a separação não é definitiva e que nossa verdadeira pátria está junto de Deus. 

O Dia de Finados também nos convida a refletir sobre o sentido de nossa própria vida. A consciência de que nossa existência terrena é passageira não deve produzir medo ou desânimo, mas despertar em nós o desejo de viver com maior profundidade. Somos chamados a valorizar o tempo, cultivar os relacionamentos, perdoar, reconciliar-nos e fazer do amor o centro de nossas escolhas. 

Afinal, aquilo que permanece de nossa passagem pelo mundo não são apenas as realizações materiais, mas sobretudo o bem que semeamos, a fé que testemunhamos e o amor que compartilhamos. Neste Dia de Finados, confiemos à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira da Diocese de Apucarana, todos os nossos irmãos e irmãs falecidos, especialmente aqueles que fizeram parte de nossas famílias e comunidades. Maria, que permaneceu junto à Cruz de seu Filho e experimentou a dor da separação, mas também a alegria da Ressurreição, console os corações enlutados e fortaleça nossa esperança. Que, sob seu olhar materno, aprendamos a transformar a saudade em oração, a tristeza em confiança e a memória daqueles que partiram em gratidão. Que Nossa Senhora de Lourdes nos conduza sempre a Jesus Cristo, nossa Ressurreição e nossa Vida, na certeza de que o amor de Deus é mais forte que a morte.