BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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Saudação a Apucarana

Da Redação

| Edição de 04 de novembro de 2026 | Atualizado em 04 de novembro de 2026

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Hoje meu coração está tomado por sentimentos que talvez as palavras não consigam expressar plenamente. Há momentos na vida em que precisamos falar com a razão, mas, sobretudo, precisamos deixar o coração falar. Este é um desses momentos.

Diz a Escritura no livro do Eclesiastes 3: Há tempo para tudo, “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Houve um tempo da minha chegada a esta amada diocese de Apucarana. Agora é o tempo da partida. 

Quem decide isto na vida do Bispo é a Igreja, o Santo Padre, o Papa Leão. Na vontade do Papa, da Igreja, encontramos a Vontade de Deus. 

Confesso que tentei dissuadir o sr. Núncio Apostólico, pois achava pouco o meu tempo em Apucarana. Não havia pedido transferência. Fui tomado de surpresa imensa e susto muito grande. 

Assim experimentei sentimentos diferentes. De um lado, a alegria e a confiança de saber que a Igreja continua sua missão e que o Senhor nos chama sempre a novos caminhos. De outro, uma profunda tristeza, porque não é fácil deixar uma Igreja particular que, ao longo de quase oito anos, se tornou parte da minha própria história, da minha vida e do meu coração.

Foram quase oito anos de caminhada, de encontros, de desafios, de alegrias, de lágrimas, de conquistas e, sobretudo, de muito amor!

Apucarana não foi apenas uma Diocese na qual exerci meu ministério episcopal. Foi uma família que me acolheu, uma comunidade com a qual caminhei, um povo com o qual rezei, celebrei, sofri e me alegrei. Aqui encontrei rostos, histórias, testemunhos de fé e pessoas que marcaram profundamente minha vida.

Levo comigo a lembrança de cada paróquia visitada, de cada comunidade e diaconia, de cada celebração, de cada encontro com sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, lideranças pastorais e tantos leigos e leigas que, com generosidade, ajudam a construir a Igreja de Cristo.

Aos nossos padres, quero expressar uma gratidão muito especial. Obrigado pela fraternidade, pela dedicação, pela comunhão e pelo testemunho de amor à Igreja. Fomos companheiros de missão. Compartilhamos preocupações, esperanças, projetos e desafios. Saibam que levo cada um de vocês no coração e nas minhas orações.

Aos diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, colaboradores da Cúria Diocesana e a todos os agentes de pastoral, meu muito obrigado. Cada um, à sua maneira, ajudou a escrever estes quase oito anos de história.

Às famílias, aos jovens, às crianças, aos idosos, aos enfermos e a todos os que encontrei ao longo desta caminhada, quero dizer: vocês foram e continuarão sendo muito importantes para mim.

Não posso deixar de agradecer também a Nossa Senhora de Lourdes, nossa querida Padroeira, sob cujo olhar maternal caminhamos como Diocese. Quantas vezes recorremos à sua intercessão! Que Ela continue protegendo esta Igreja particular e conduzindo todos nós a Jesus. Em Romaria, com Maria, Mãe de Jesus, continuamos nossa história. 

Sei que uma despedida nunca é simples. Criamos vínculos, construímos amizades, partilhamos a vida. E quando existe amor, a partida dói. Confesso que deixo Apucarana com o coração apertado. Não porque me falte confiança no futuro, mas porque é grande o carinho que tenho por esta Diocese e por seu povo.

Entretanto, há uma certeza que ilumina meu caminho e dá sentido a este momento: na Igreja, o mais importante não é o lugar onde estamos, mas a missão que Deus nos confia.

Não somos donos da missão. Somos servidores. Não somos chamados a permanecer onde desejamos, mas a estar disponíveis onde a Igreja necessita de nós.

A vocação episcopal é também está: viver em atitude de disponibilidade, com o coração livre para partir, recomeçar e servir. Nossa referência é Abraão, que deixou sua terra confiando na promessa de Deus. Nossa inspiração é Maria, que respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E, acima de tudo, nosso modelo é Jesus Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir.

Por isso, mesmo com a tristeza da partida, quero dizer meu sim à Igreja, meu sim à missão e meu sim à vontade de Deus. A nomeação para outra Diocese não apaga a história que construímos juntos. Ao contrário, confirma que a missão continua e que tudo aquilo que vivemos permanece como dom e graça.

Não estou deixando de amar Apucarana porque estou sendo chamado a servir em outro lugar. O amor não termina aqui.

Continuarei acompanhando esta Diocese com carinho, rezando por seus sacerdotes, suas comunidades, suas famílias e por todo o seu povo. Onde quer que eu esteja, haverá sempre um lugar especial no meu coração para a Diocese de Apucarana.

Peço perdão se, ao longo destes quase oito anos, em alguma ocasião, não correspondi às expectativas, se minhas decisões não foram compreendidas ou se minhas limitações humanas impediram que eu realizasse tudo aquilo que desejava. Nunca me faltou o desejo de servir, de amar e de fazer o melhor pela Igreja.

Também quero pedir que não olhemos para esta mudança apenas como uma despedida, mas como uma oportunidade de renovar nossa fé na Igreja e na ação do Espírito Santo. A Diocese de Apucarana não pertence a um bispo. Pertence a Cristo! E continuará sua caminhada, porque a missão da Igreja é maior do que qualquer pessoa.

Agradeço a Deus pelo privilégio de ter sido chamado a caminhar com vocês. Agradeço pela confiança, pelo carinho, pela amizade e por tudo aquilo que recebi muito mais do que pude oferecer.

Termino recordando uma palavra de São Paulo, que resume muito bem o sentimento deste momento:

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós” (Fl 1,3).

É assim que quero guardar Apucarana: com gratidão, com saudade, com carinho e com amor.

Que Nossa Senhora de Lourdes continue sendo a Mãe e Padroeira desta Diocese. Que Santa Bernadette nos ensine a simplicidade, a humildade e a fidelidade. E que Deus continue suscitando pastores segundo o seu coração.

Diocese de Apucarana, muito obrigado!

Obrigado por me acolher, por caminhar comigo, por me permitir fazer parte de sua história e por fazer parte da minha.

Parto com saudade, mas em paz. Parto com o coração agradecido e com a mesma disposição de sempre: servir à Igreja onde Deus e a Igreja me enviarem.

Porque, no fim de tudo, meus irmãos e minhas irmãs, o que realmente importa não é fazer a nossa vontade, mas descobrir, acolher e realizar a vontade de Deus.

E que a nossa vida inteira possa ser uma resposta àquele que nos chamou.

Deus seja louvado por tudo!

Muito obrigado. Amém!