"Fazei penitência e crede no evangelho” (Mc 1, 15). O tempo passa ligeiro, a vida não espera, a mudança é rápida. Apenas Deus permanece, Seu amor não muda, Sua ternura e afeto são eternos! A Liturgia nos apresenta mudanças claras e dinâmicas para nos ensinar que a vida exige de nós disciplina, perseverança e atenção constantes! Advento, Tempo Comum e Quaresma. Tempos litúrgicos que nos ensinam a sermos cristãos verdadeiros, vivenciando a cada dia a Palavra, na prática e no silêncio do coração. Estávamos em festa até estes dias passados, uma grande multidão unida em Romaria, cantando louvores a Cristo, através das saudações à Senhora de Lourdes, numa magnífica expressão de fé e devoção à Mãe Santíssima!
Eis que agora a Igreja de Cristo adentra num novo Tempo Litúrgico, começando com a Quarta-feira de Cinzas, que nos recorda que viemos do pó e ao pó voltaremos. Primeiramente, ao marcar nossa testa com a imposição das Cinzas, a Igreja nos confronta com uma verdade nua e crua: somos todos feitos da mesma argila frágil e todos dependentes da mesma misericórdia, não importando nossas vaidades, títulos ou posses.
Compreendida a Quarta-feira de cinzas, a quaresma é um chamado à conversão, ao recolhimento para tomarmos ciência de nossos pecados, rever atitudes e melhorar como pessoas, famílias e cristãos. Por quarenta dias, relembraremos com orações, súplicas, vigilância, penitências e orações, as aflições e angústias da Mãe de Jesus que sofreu as dores da profecia do velho Simeão.
Ela, que trazia gravadas no coração as palavras ouvidas no Templo “Uma espada de dor transpassará tua alma” (Lc 2,35), sentia que a hora estava próxima. É totalmente certo que a dor que afligia Jesus, feria o Coração da Mãe. Assim como é certo que, como toda mãe, que ao ver um filho sofrendo, pede a Deus que transfira para si mesma a enfermidade e o sofrimento de seu rebento, a Virgem Maria também desejou que pudesse ser assim. Mas Ela, com toda sabedoria e obediência, não ousou pedir isso ao Pai, pois sabia que os desígnios do Altíssimo teriam que ser cumpridos. Carne de sua carne, sangue de seu sangue, a Virgem Maria guardava em silêncio a aflição de não poder intervir e, ao menos, aliviar um pouco, a dor do filho amado.
A Quaresma deve ser vivida não com tristeza ou sofrimento, mas com retidão e sobriedade de coração, com abertura à verdadeira conversão e mudança de vida. Ninguém é perfeito, não há quem não cometa pecados ou não precise de conversão. De um jeito ou de outro, todos somos pecadores e necessitados da misericórdia Divina.
A partir da imposição das cinzas em nossa fronte, devemos nos colocar diante do Criador como barro nas mãos do oleiro que, ao ver sua obra danificada, a refaz. Criados por Deus, desejados por Ele, somos perfeitos na criação e imperfeitos nos tornamos ao deixarmos nos quebrar pelo pecado e imperfeições causadas pelo afastamento do Amor Divino.