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AM: Polícia detém agentes públicos suspeitos de colaborar com facção

(via Agência Brasil)

| Edição de 20 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 20 de fevereiro de 2026

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Na manhã desta sexta-feira (20), a Polícia Civil do Amazonas realizou uma operação que culminou na prisão preventiva de pelo menos 13 pessoas. Elas são suspeitas de integrar um esquema de tráfico de drogas associado à facção criminosa Comando Vermelho (CV). O esquema contava com a participação de indivíduos em cargos públicos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

De acordo com a operação Erga Omnes, conduzida pelos investigadores, os suspeitos teriam movimentado cerca de R$70 milhões desde 2018. Para dar uma aparência de legalidade ao dinheiro proveniente de atividades ilícitas, eles utilizavam empresas de fachada.

Entre os envolvidos, destaca-se Anabela Cardoso Freitas, servidora cedida à Casa Civil municipal, onde atua como assessora técnica. A prefeitura, em nota, afirmou que não é alvo da operação e que qualquer servidor investigado responderá individualmente por seus atos.

Outro nome mencionado é o de Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). O tribunal, por sua vez, declarou estar tomando as medidas administrativas cabíveis, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a integridade do Poder Judiciário.

Esquema de Lavagem de Dinheiro

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), destacou que as prisões foram fundamentadas em provas robustas. Os suspeitos enfrentam acusações de formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A operação se estendeu por diversos estados, incluindo Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, com o apoio das forças de segurança locais para a execução dos mandados judiciais.

Investigação e Descobertas

As investigações, iniciadas em agosto de 2025, revelaram que membros dos três poderes estaduais estavam colaborando com os traficantes. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram transações financeiras de alto valor realizadas por servidores públicos suspeitos.

"Essa colaboração ocorria tanto por meio de suporte logístico quanto pela facilitação do acesso à administração pública ou pelo fornecimento de informações sigilosas", informou a Polícia Civil.

As empresas de logística criadas pelo grupo para fins ilícitos eram utilizadas para distribuir drogas em todo o Brasil, simulando atividades legítimas. As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os valores eram movimentados por meio de empresas fantasmas no Amazonas e no Pará, antes de serem distribuídos para outros estados.

"Elas não compravam insumos, não negociavam com outras empresas do ramo. Suas únicas transações financeiras eram com traficantes e servidores públicos", detalhou o delegado.

Até mesmo igrejas evangélicas foram usadas para dificultar a identificação do grupo criminoso. Um dos líderes, cuja identidade não foi confirmada, se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja na zona leste de Manaus.



Com informações da Agência Brasil