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Quem é Nelma Kodama, doleira presa pela Lava Jato e por tráfico em Portugal

(via Agência Estado)

| Edição de 20 de abril de 2022 | Atualizado em 20 de abril de 2022

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Presa em Lisboa nesta terça-feira, 19, sob suspeita de promover câmbio ilícito de valores em uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína entre Brasil e Portugal, a doleira Nelma Kodama coleciona episódios de ostentação e envolvimento com o crime.

Em março de 2014, Nelma Kodama, que é conhecida como a "Dama do Mercado", foi presa ainda na primeira fase da extinta Operação Lava Jato, em São Paulo, quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com € 200 mil escondidos na calcinha. Na época, a doleira tinha sido acusada de participar de um esquema lavagem de dinheiro junto com o doleiro Alberto Youssef. Sua condenação em primeira instância previa 18 anos de prisão.

No ano seguinte, durante interrogatório da CPI da Petrobras, Nelma chamou a atenção ao cantar um trecho da música Amada Amante, do cantor Roberto Carlos, ao ser questionada sobre sua relação com Youssef. "Sob meu ponto de vista, eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Amante é esposa, amante é amiga", disse ela na ocasião. "Tem até uma música do Roberto Carlos: a amada amante, a amada amante. Não é verdade? Quer coisa mais bonita que ser amante? Você ter uma amante que você pode contar com ela, ser amiga dela."

Luxo

Nelma fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, o que possibilitou que deixasse o cárcere, em Curitiba, e colocasse uma tornozeleira eletrônica. Na época, a "Dama do Mercado" chegou a divulgar em sua rede social uma foto em seu perfil no Instagram com vestido vermelho, sapato da arca de luxo Chanel e a tornozeleira eletrônica.

Em suas redes sociais, a doleira ostenta a sua vida de alto poder aquisitivo com fotos de acessórios, sapatos e roupas de luxo. Em 2018, foi alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo, por receptação de joias roubadas de uma loja de acessórios na zona sul da capital paulista. Na época, a polícia informou que o conjunto de brincos, anel e pingente de rubis usados pela doleira nas fotos era avaliado em R$ 150 mil.

Batizada de Descobrimento, a operação que prendeu a doleira cumpriu 46 ordens de busca e apreensão e realizou nove mandados de prisão preventiva.