A fundadora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Apucarana, Palmyra Longuini Menegazzo, completou 100 anos na última terça-feira (20). Mãe de quatro filhos, ela foi responsável pela criação da instituição em 1966, após enfrentar dificuldades para encontrar uma escola que aceitasse seus dois filhos com deficiência. Seis décadas depois, a iniciativa que começou com oito crianças e professores voluntários se transformou em uma instituição que atende cerca de 470 alunos nas áreas de educação, saúde e assistência social.
“Ela ajudou tantas pessoas. Eu fico orgulhosa de ser filha dela. Eu e a família toda temos orgulho dela, porque ela foi batalhadora mesmo. Foi incrível”, afirma a filha Maria José Menegazzo de Oliveira, de 76 anos. Segundo ela, Palmyra sempre se preocupou com o bem-estar das pessoas ao seu redor e não mediu esforços para garantir atendimento aos filhos. Atualmente, a centenária vive em uma casa de repouso, onde recebe cuidados devido às limitações de saúde decorrentes da idade avançada.
A história da instituição começou a ser construída quando os dois filhos de Palmyra, que tinham paralisia cerebral, chegaram à idade escolar. Na época, nenhuma escola de Apucarana aceitava matriculá-los. Diante das dificuldades, ela passou a procurar alternativas de atendimento especializado em outras cidades.
Uma viagem a São Paulo, onde levou o filho José Antônio para realizar uma avaliação na Apae, acabou sendo decisiva. Ao conhecer o trabalho desenvolvido pela entidade, Palmyra decidiu buscar apoio para criar uma estrutura semelhante em Apucarana.
“Quando ela foi para São Paulo sozinha com o José Antônio, meu irmão, que ela levou para fazer um teste numa Apae lá, foi daí que ela resolveu fundar a Apae aqui em Apucarana, porque ela viu a maravilha que era a Apae de São Paulo”, recorda Maria José.
De volta ao município, Palmyra reuniu outras famílias que enfrentavam dificuldades semelhantes. O grupo deu início a uma escola especializada, inicialmente instalada no porão de uma loja maçônica, com oito crianças e professores voluntários. A Apae de Apucarana foi oficialmente fundada em 28 de março de 1966.
Inspiração e exemplo
A neta Fernanda Beatriz Menegazzo de Oliveira, de 46 anos, também destaca a trajetória da avó. “A inclusão dos filhos sempre foi o centro da vida dela. Ela simplesmente não se acomodou, não se vitimizou e foi atrás de trazer para Apucarana, uma escola para eles. Filho nenhum da dona Palmyra ia ficar sem estudo, sem atenção que precisava”, destaca.
Segundo ela, essa posição firme da avó beneficiou centenas de crianças nas últimas décadas. “Ver o tanto de pessoas que a Apae de Apucarana atende hoje, incluindo todos que precisaram, nestes 60 anos desde que foi fundada, nos dá dimensão da importância que ela teve na mais profunda definição de inclusão”, acrescenta.
Deixou legado
A diretora da Apae de Apucarana, Izabel Ortega, explica que a fundação ocorreu em um período em que praticamente não existiam recursos, metodologias de ensino ou políticas de inclusão voltadas às pessoas com deficiência. “Na época, não existiam leis, não existia pesquisa sobre o que era uma pessoa com deficiência, não tinha metodologia, era uma situação bem difícil, não tinha recursos”, relata.
Segundo a diretora, além da falta de estrutura, Palmyra precisou enfrentar o preconceito que marcava o tratamento dispensado às pessoas com deficiência naquele período. “ E ela lutou com todas essas barreiras para chegar aonde chegou”, afirma Izabel.